China promete moderar exportações híbridas sem quota

China’s promised reduction is measured against a forecast Brussels has not published.
Composição da imagem · tobriefA China vai «moderar» as exportações de automóveis híbridos e híbridos plug-in para a UE. Em Pequim, a 9 de outubro, o comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou que o acordo poderá reduzir as expedições em mais de metade ao longo de quatro anos (declaração da Comissão, EFE). A comparação é feita com a previsão da Comissão para o volume que a China exportaria se nada mudasse. Como essa previsão não foi publicada, as importações chinesas podem continuar a crescer face ao nível atual e, ainda assim, o compromisso ser cumprido.
Šefčovič disse ter alcançado um «entendimento comum» com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao. O Ministério do Comércio da China confirmou o acordo e afirmou que é compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (Ministério do Comércio chinês). Um híbrido convencional combina um motor de combustão com uma bateria que se recarrega durante a condução; um híbrido plug-in também pode ser carregado numa tomada.
Ficaram por divulgar elementos centrais do acordo: nenhum dos lados publicou uma quota, a distribuição por fabricantes, uma data de início, regras de acompanhamento ou sanções (Reuters).
Uma redução face a uma previsão não publicada
A redução anunciada funciona assim: Bruxelas projetou o volume de híbridos chineses que chegaria à UE ao longo de quatro anos sem acordo. Segundo Šefčovič, as expedições efetivas ficarão mais de metade abaixo dessa projeção, o que significa que «vários milhões» de automóveis deixarão de ser enviados (declaração da Comissão). Se a previsão apontar para um crescimento acentuado, as exportações podem aumentar todos os anos e, ainda assim, ficar bastante abaixo do valor projetado. Bruxelas não divulgou o volume inicial, a trajetória anual nem o método de cálculo, pelo que ninguém fora da Comissão consegue verificar as contas.
Os híbridos ficam fora de uma barreira comercial anterior. Desde 30 de outubro de 2024, a UE aplica direitos de compensação — sobretaxas destinadas a neutralizar subsídios estatais concedidos no estrangeiro — de até 35,3% aos automóveis chineses movidos exclusivamente por motores elétricos, além da tarifa aduaneira normal de 10% (Regulamento de Execução (UE) 2024/2754). Como os híbridos têm motor de combustão, estes direitos não se lhes aplicam.
Os exportadores aproveitaram essa diferença. As expedições mensais de híbridos da China passaram de cerca de 3 800 em outubro de 2024, mês em que os direitos entraram em vigor, para 50 000 em julho de 2026, segundo a Electrive, que cita notícias anteriores. Os números mostram um forte crescimento desde a entrada em vigor das tarifas, mas não revelam o que a previsão da Comissão assume para os próximos anos.
Quem poderá beneficiar e quem poderá pagar a conta
Se a contenção das exportações produzir efeitos, os fabricantes que produzem na Europa poderão ganhar espaço no mercado, assim como os seus fornecedores, que poderão receber mais encomendas. Os compradores, por sua vez, poderão ter menos escolha ou beneficiar de descontos menores. Sem um limite publicado, não é possível estimar a dimensão de um eventual efeito nos preços, nem saber se haverá algum.
A distribuição dos ganhos é mais difícil de perceber porque, pelo que foi divulgado, um limite às exportações a partir da China não abrangeria marcas chinesas que montam automóveis dentro da UE. Os fabricantes chineses querem produzir até 1,2 milhões de veículos por ano na Europa até 2030, incluindo todos os tipos de automóveis, noticiou o Le Monde a 6 de outubro. Trata-se de uma ambição, não de uma lista de fábricas, pelo que não permite saber onde ficarão os empregos ou os contratos com fornecedores. Significa, contudo, que parte das vendas que os fabricantes europeus esperam recuperar poderá caber a fábricas de empresas chinesas em território europeu.
O que os líderes vão avaliar
Šefčovič recusou explicar como funcionará a redução antes de informar os governos da UE. Os líderes vão analisar o pacote em Bruxelas a 15 de outubro (DW).
Vão avaliar um compromisso medido por referência a um número que só a Comissão conhece. Com os dados disponíveis, não há uma redução que possa ser verificada, e nunca foi prometido que as chegadas de híbridos fossem reduzidas para metade do volume atual. Continuam por esclarecer a referência usada, os automóveis abrangidos e a entidade responsável pela contagem. Enquanto a Comissão não publicar esses elementos, «mais de metade» descreve apenas a diferença entre as expedições previstas e as efetivas. Não permite saber quantos híbridos chineses chegarão aos concessionários europeus.
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