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EU_ECONOMICS05 / 05 · história do dia3 min · 905 palavras · 71 fontes

15 milhões compram 20 centímetros em Paks

Escrito por IAto brief AI · 24 de agosto de 2026, 02:50
Como foi escrita

Twenty centimetres of water bring Hungary’s nuclear heart back online.

Composição da imagem · tobrief
o texto · 3 min de leitura

Para uma central nuclear arrefecida por água de rio, 20 centímetros podem separar uma quebra temporária de produção de uma paragem total. Na Hungria, equipas técnicas afundaram duas barcaças e construíram uma soleira provisória no leito do Danúbio para elevar o nível da água junto à captação da central de Paks. A solução funcionou por agora: a 23 de agosto, a única central nuclear húngara tinha quatro das suas oito turbinas novamente em operação, produzia mais de 800 MW, e o Governo espera que regresse à capacidade total de 2 000 MW a meio da semana (Portfolio, Euronews HU).

O episódio é importante porque a Roménia tentou obras de emergência comparáveis em Cernavodă, a sua única central nuclear, e acabou por perder ambos os reatores. A engenharia de emergência pode devolver margem a uma bomba de captação. Não consegue, por si só, travar um rio em queda.

O que foi construído e porque bastou

As centrais nucleares usam grandes volumes de água para arrefecer o vapor depois de este accionar as turbinas. Em plena produção, Paks precisa de cerca de 100 metros cúbicos por segundo de água do Danúbio. Quando o rio caiu para mínimos recorde, as bombas da central, instaladas a uma profundidade fixa, deixaram de conseguir captar água suficiente (MVM). A operadora MVM começou a reduzir a produção no fim de julho.

A 12 de agosto, o Governo ordenou duas intervenções. A primeira foi uma soleira de fundo: uma estrutura baixa assente no leito do rio, destinada a abrandar a corrente e a fazer subir a água junto à tomada de captação. A segunda consistiu na preparação de duas barcaças de 80 metros para afundamento controlado, de modo a bloquear parte do caudal. O custo foi de 6,1 mil milhões de forints (cerca de 15 milhões de euros), comparado com uma estimativa oficial de pelo menos 50 mil milhões de forints por mês em electricidade de substituição caso a central parasse por completo (kormany.hu, Energy Connects). Pagar 15 milhões para evitar 50 milhões por mês dificilmente exigia grande hesitação.

A 22 de agosto, estavam construídos 242 metros de soleira e o efeito combinado das obras tinha elevado o nível da água em mais de 20 cm. Sete das oito bombas de arrefecimento estavam em funcionamento e a captação aproximava-se da capacidade necessária (kormany.hu, MTI).

O aviso da Roménia

A Roménia seguiu uma receita semelhante em Cernavodă, central que normalmente fornece cerca de um quinto da electricidade do país (World Nuclear). As equipas detonaram uma formação rochosa, dragaram canais e afundaram barcaças para redireccionar o caudal do Danúbio para a tomada de água (The Guardian, Financial Intelligence). A primeira intervenção subiu o nível da água em 8 cm e deu à Unidade 2 cerca de mais nove dias de operação (HotNews).

Depois, o rio continuou a descer. A Unidade 2 foi desligada a 13 de agosto. Desde então, a Roménia aprovou um segundo pacote de emergência, sinal de que a primeira intervenção comprou tempo, mas não segurança (AGERPRES).

A diferença não está na competência técnica. Os dois países mobilizaram recursos contra o mesmo problema. Na Hungria, a soleira deu 20 centímetros onde 20 centímetros bastavam. Na Roménia, as obras deram 8 centímetros num contexto em que o défice continuava a aumentar.

Quem pagou, quem ganhou

Quando Paks se aproximou da paragem, os preços semanais da electricidade na Hungria subiram para cerca de 250 a 263 euros/MWh, aproximadamente 15 a 20 por cento acima do nível do dia anterior (Argus). Esses preços chegam aos compradores industriais em poucos dias. A Hungria duplicou as importações de electricidade, que atingiram cerca de 4 GW durante a noite, e o Governo pediu às famílias que evitassem usar máquinas de lavar roupa e secadores entre as 17h00 e as 22h00 (Euractiv).

Um decreto separado deu ao operador da rede poderes para cortar grandes consumidores industriais acima de 0,5 MW, com penalizações de 200 por cento do preço no mercado à vista: as fábricas que ignorassem a ordem pagariam o dobro do preço de mercado (HVG). Às famílias foi feito um pedido; às fábricas, uma ordem.

A exposição romena foi mais dura. Numa noite, as importações chegaram a 1 839 MW, cobrindo 27,4% do consumo (Curs de Guvernare). A Bulgária tornou-se a beneficiária de curto prazo: as suas exportações subiram para cerca de 32 000 a 33 000 MWh por dia quando a produção nuclear vizinha desapareceu (Mediapool). A Eslováquia, cujas centrais de Mochovce e Bohunice usam torres de arrefecimento em vez de água directa do rio, continuou a produzir a plena capacidade e beneficiou discretamente dos preços regionais mais altos (Info.sk).

O rio continua a decidir

A Hungria evitou o custo imediato de substituir Paks. A solução da soleira e das barcaças custou 15 milhões de euros, perante perdas que poderiam chegar a dezenas de milhões por mês. Mas o regresso da central não elimina a vulnerabilidade: Paks continua a depender da água do Danúbio captada por bombas de profundidade fixa, e o próximo episódio de caudal baixo pode durar mais do que uma obra provisória consegue compensar.

A EDF francesa está a prever 9 mil milhões de euros ao longo de 15 anos para adaptar o seu parque nuclear ao clima em mudança (Le Monde). A Hungria construiu 242 metros de soleira em onze dias. Ver-se-á se isso ainda bastará no próximo agosto.

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8/24/2026, 1:51:24 AM
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