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EU_PUBLIC_AFFAIRS03 / 10 · história do dia3 min · 804 palavras · 36 fontes

Fuga no BND leva aliados a rever partilhas

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Escrito por IAto brief AI · 7 de outubro de 2026, 02:50
Como foi escrita

Prosecutors allege BND files left the president’s office for years.

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o texto · 3 min de leitura

Detenções por fuga de informação no BND levam aliados a rever o que partilharam

Os procuradores federais alemães alegam que um assessor dos gabinetes de sucessivos presidentes do BND entregou quase 2 000 documentos internos a August Hanning, até junho de 2022 (comunicado dos procuradores federais). Hanning dirigiu o BND, o serviço de informações externas da Alemanha, e os investigadores encontraram o rasto da operação por acaso, durante outro inquérito. Segundo os procuradores, parte do material serviu de base a informações que Hanning transmitiu a um serviço estrangeiro, mas não é possível confirmar que uma análise distinta tenha chegado a outro (comunicado dos procuradores federais).

Um canal pago no gabinete do presidente

O assessor, identificado como Manfred D., foi chefe de gabinete de vários presidentes do BND entre março de 2012 e março de 2026 (comunicado dos procuradores federais). A Procuradoria Federal anunciou a detenção dele e de Hanning a 6 de outubro (AP).

Os procuradores suspeitam que os dois acordaram que o assessor continuaria a fornecer a Hanning informação valiosa do BND, mediante pagamento. Hanning usá-la-ia na empresa de consultoria que criou depois de deixar o Governo (comunicado dos procuradores federais). O comunicado oficial não identifica qualquer cliente nem indica o valor pago. Hanning e os seus advogados negam as acusações (The Guardian).

Entre os ficheiros havia, segundo os procuradores, documentos de preparação dos chefes do serviço para reuniões regulares de informação na Chancelaria, o gabinete do chanceler (comunicado dos procuradores federais). Esses documentos revelam o que os responsáveis do BND consideravam importante transmitir ao chefe do Governo, dando a conhecer tanto as prioridades do serviço como as suas conclusões.

O caso veio à luz por acaso, e não através dos mecanismos de controlo do próprio BND. Em setembro de 2025, procuradores de Hamburgo revistaram instalações de Hanning no âmbito de um inquérito sem relação com este caso (comunicado dos procuradores federais). O material encontrado foi depois entregue aos procuradores federais, que construíram o caso na origem das detenções desta semana.

Dois contactos com serviços estrangeiros, um por confirmar

Os procuradores descrevem dois contactos com serviços de informações estrangeiros e mantêm-nos separados. No primeiro, Hanning terá usado os documentos divulgados para preparar uma análise destinada a um funcionário de um serviço estrangeiro. Os procuradores dizem não poder confirmar que o documento tenha chegado ao destinatário (comunicado dos procuradores federais).

Essa incerteza ajuda a explicar a qualificação jurídica em causa: entre os crimes suspeitos está a tentativa de alta traição, uma imputação que abrange aquilo que Hanning terá tentado fazer. Não prova que a análise tenha chegado ao estrangeiro.

A segunda alegação vai mais longe. Os procuradores dizem que Hanning transmitiu informação política durante vários anos a um membro dos serviços de informações de outro Estado, recorrendo em parte aos documentos do assessor (comunicado dos procuradores federais). Suspeitam também que tenha agido por conta de um serviço de informações estrangeiro. Não identificaram nenhum dos países.

O Azerbaijão entrou no caso através da imprensa. A Der Spiegel noticiou que os investigadores estavam a apurar uma ligação a um agente azeri a quem se destinava a análise (WELT). Os procuradores federais recusaram comentar essa notícia (Reuters).

WELT noticia que aliados estão a rever o material partilhado

A preocupação entre os aliados decorre do modo como funciona a partilha de informações: os parceiros entregam material ao BND na expectativa de que fique sob controlo alemão. A Reuters, citando a Süddeutsche Zeitung, noticiou que os ficheiros incluíam informação sobre o programa nuclear iraniano, as forças armadas russas e dados classificados por serviços aliados (Reuters).

A WELT noticiou que o MI6, o serviço de informações externas britânico, o GCHQ, a agência britânica de interceção de comunicações, e várias agências norte-americanas estavam a rever o que tinham partilhado com Berlim (WELT). O jornal citou ainda Matthew Dunn, antigo membro do MI6, que disse ficar muito surpreendido se as relações com o BND fossem afetadas. Até agora, não foi identificado publicamente nenhum documento britânico ou norte-americano concreto entre os ficheiros apreendidos.

Há agora duas frentes de trabalho paralelas. Os procuradores têm de provar os crimes alegados; o BND e os seus parceiros precisam de apurar que informação poderá ter sido exposta e a quem. Konstantin von Notz, deputado dos Verdes e membro do painel de fiscalização dos serviços de informações do Bundestag, instou o Governo a determinar rapidamente a dimensão dos danos. O presidente do BND, Martin Jäger, afirmou que o serviço abriu investigações internas abrangentes (Tagesschau).

Se os procuradores provarem as transferências, ficará demonstrado que informação sensível do BND saiu durante anos dos gabinetes de sucessivos presidentes. Uma busca feita no âmbito de outro caso, e não os controlos internos do serviço, terá então sido o que revelou a situação. Um julgamento poderá apurar os crimes, mas não dirá a Londres ou a Washington que informação sua constava daqueles ficheiros. Essa resposta cabe a Jäger.

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