Ébola alastra a sete províncias

Blank contact lists accumulate as the virus outruns its trackers.
Composição da imagem · tobriefOs dados da vigilância epidemiológica congolesa divulgados pela Reuters ultrapassaram dois limiares na mesma semana: até 10 de setembro, estavam confirmados 7 022 casos de Ébola e 3 398 mortes em 62 zonas sanitárias; ao mesmo tempo, foi detetado o primeiro caso no Sud-Ubangi, província do extremo noroeste situada a centenas de quilómetros das regiões orientais onde começou o surto. São agora sete as províncias afetadas. O relatório mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), com dados até 7 de setembro, registava um total inferior, de 6 479 casos. A diferença resulta do intervalo entre as contagens provinciais e o processo de verificação da OMS, e não de avaliações divergentes sobre a dimensão da epidemia.
Mesmo estes números deverão ficar aquém da realidade. No final de agosto, o comité de emergência da OMS estimou que o número verdadeiro de infeções poderia ser três a quatro vezes superior aos casos detetados, porque muitos doentes em regiões remotas ou afetadas por conflitos nunca chegam a ser identificados.
Uma viagem de barco que ninguém conseguiu rastrear
O caso do Sud-Ubangi mostra como o vírus consegue percorrer grandes distâncias sem ser detetado. Segundo a RFI, um homem de 23 anos saiu do Kivu do Sul em julho, atravessou o Ruanda e o Uganda, voltou a entrar no Congo pelo Ituri e foi hospitalizado em Kisangani depois de um acidente rodoviário. Embarcou depois num barco que subia o rio Congo em direção ao noroeste. Desenvolveu sintomas durante o percurso, foi assistido por um enfermeiro a bordo e morreu depois de chegar a Akula. A infeção só foi confirmada numa amostra recolhida após a morte.
Antes de se saber que estava infetado, o homem atravessou várias províncias e potencialmente três países. As equipas de resposta terão agora de reconstituir todas as exposições possíveis ao longo do trajeto, incluindo hospitais, barcos, clínicas informais e contactos familiares. Junto do local da morte tinham sido identificados 38 contactos, embora a contagem ainda seja provisória. Como o Sud-Ubangi faz fronteira com a República Centro-Africana, as autoridades terão também de emitir alertas transfronteiriços, apesar de não haver indícios de que o doente tenha entrado naquele país.
O Ébola transmite-se pelo contacto direto com fluidos corporais de uma pessoa doente ou morta, não pelo ar. Para conter o surto, é necessário identificar e isolar rapidamente cada infetado, seguindo durante 21 dias todas as pessoas com quem teve contacto. A lista de contactos funciona como sistema de alerta precoce: quando surgem doentes que nunca constaram dela, significa que o vírus avançou mais depressa do que as equipas encarregadas de o rastrear.
Não existe uma vacina comprovada para esta estirpe
Os surtos anteriores de Ébola no Congo foram provocados pelo Zaire ebolavirus, enquanto o atual é causado pelo Bundibugyo virus, uma espécie diferente. A distinção tem consequências práticas: a Ervebo, vacina aprovada pela US FDA contra o Zaire ebolavirus, atua sobre uma proteína de superfície específica dessa espécie. Não está demonstrado que ofereça proteção aos seres humanos contra o Bundibugyo. A OMS disponibilizou 70 000 doses de Ervebo para fins de investigação; até 7 de setembro, tinham sido vacinadas 2 007 pessoas, ao abrigo de um protocolo que as informa de que a proteção não está comprovada.
Um ensaio clínico denominado PARTNERS está a testar dois tratamentos experimentais, MBP134 e remdesivir, em mais de 300 doentes já inscritos. O recrutamento prossegue e nenhum dos tratamentos demonstrou ainda ser eficaz. Vacinas específicas para o Bundibugyo, desenvolvidas pela Oxford e pela Moderna, encontram-se nas primeiras fases de ensaios de segurança no Reino Unido e no Canadá.
Desde maio, o Congo aumentou a capacidade de tratamento de um único centro com nove camas para 59 unidades com 1 346 camas em setembro. Um plano de resposta revisto para 180 dias procura mobilizar cerca de 1,3 mil milhões de dólares.
Quanto ao risco de importação para a Europa, o relatório da OMS de 7 de setembro registava um caso em França e dois doentes transferidos para a Alemanha para receberem tratamento. Ainda assim, a evolução da epidemia decidir-se-á dentro do Congo, onde um vírus sem vacina de eficácia comprovada está a atravessar um território que torna quase impossível localizar todos os contactos. Continuam a faltar provas de que as medidas de contenção estejam a ganhar terreno.
How was this article?
Help us get better
Help us get better
Details about this article
- Model:
- claude-opus-4-6
- Generated:
- 9/13/2026, 1:45:39 AM
- Pipeline run:
- eu_pipeline_20260913_005005
- Watermark:
- SynthID (Google's invisible watermark)
- Human review:
- None before publication