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EU_ECONOMICS02 / 05 · história do dia3 min · 773 palavras · 59 fontes

Seca do Danúbio pára Paks

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Escrito por IAto brief AI · 3 de agosto de 2026, 02:50
Como foi escrita

The Danube falls beyond the reach of Europe’s dependable power.

Composição da imagem · tobrief
o texto · 3 min de leitura

A única central nuclear da Hungria ficou totalmente parada em 2 de agosto, depois de o nível do Danúbio ter descido ao ponto de as bombas de arrefecimento já não conseguirem captar água à superfície do rio. A central de Paks fornece perto de 2 GW de eletricidade de base, cerca de metade do consumo do país (MVM, World Nuclear Association). Mais a jusante, na Roménia, a mesma seca já tinha obrigado a desligar um dos dois reatores da central de Cernavodă, enquanto o segundo continuava a operar com uma margem estimada de apenas quatro a cinco dias. Em menos de uma semana, dois países descobriram que a eletricidade nuclear em que assentavam como produção permanentemente disponível também depende da chuva.

Um rio, duas paragens

A paragem de Paks fez-se em seis dias. Quando a escala hidrométrica do Danúbio desceu para -106 cm, em 27 de julho, a operadora MVM começou a reduzir a produção (MVM). Em 30 de julho, avisou que os quatro grupos seriam desligados no prazo de 24 a 72 horas se o nível da água continuasse a cair (VG). Não havia uma avaria nos reatores. O problema era mais elementar: as tomadas das bombas ficaram acima da superfície do rio e, sem caudal de água, uma central nuclear não consegue dissipar o calor que produz. A MVM fixou os -134 cm como limiar final, atingido em 2 de agosto (Index, AP).

A vulnerabilidade romena evoluiu em paralelo. A Apele Române, autoridade nacional da água, mediu em 28 de julho um caudal do Danúbio de 1 650 m³/s na fronteira romena, cerca de um terço da média sazonal e próximo do mínimo histórico de 1985 (Apele Române). A Nuclearelectrica desligou preventivamente a Unidade 1 de Cernavodă, mantendo a Unidade 2 ligada apenas depois de confirmar que os parâmetros de captação ainda eram suficientes (BVB/Nuclearelectrica, Energynomics). O Governo atribuiu 7 milhões de lei a barcaças temporárias para redirecionar o caudal num ponto de bifurcação a montante da tomada de água da central (Agerpres). Manter um único reator em funcionamento passou a depender de engenharia civil improvisada.

Quem absorve o choque

Quando a oferta encolhe desta forma, as redes protegem primeiro famílias, hospitais e serviços essenciais. A procura ajustável passa a estar na indústria: grandes consumidores que podem ser desligados para que a eletricidade continue disponível noutros pontos do sistema.

O Governo húngaro formalizou essa prioridade através de um decreto que dá à MAVIR, o operador nacional da rede elétrica, poder para ordenar cortes de consumo a qualquer cliente com potência superior a 0,5 MW, com penalizações equivalentes a 200% do preço spot (444.hu, HVG). O mercado já estava a refletir a escassez: os contratos semanais de eletricidade na Hungria subiram para cerca de 250–263 €/MWh, contra 217,90 € no dia anterior (Argus).

Na Roménia, o movimento foi ainda mais abrupto. No mercado diário, os preços de fecho nas horas de ponta passaram de 63,3 lei/MWh ao meio-dia para 1 604 lei/MWh ao início da noite, quando a procura encontrou uma oferta muito mais curta (Agerpres). A Nuclearelectrica avisou os clientes da possibilidade de invocar força maior nas entregas contratadas (ZF). Os beneficiários imediatos são os exportadores vizinhos que conseguem vender eletricidade nessas horas de escassez. A Bulgária já estava a fornecer cerca de 1 700 MW à Roménia nos períodos de ponta, face a um consumo romeno ao fim da tarde superior a 7 000 MW (Profit.ro). As rendas da escassez atravessaram a fronteira juntamente com os eletrões.

Um problema de arrefecimento, não de tecnologia nuclear

O que falhou não foi o reator. Noutras centrais europeias expostas à mesma vaga de calor, a produção continuou. A central eslovena de Krško recorreu a torres de arrefecimento, que dissipam o calor para o ar em vez de dependerem diretamente do rio (Delo). As centrais checas de Dukovany e Temelín usam soluções semelhantes e ficaram menos vulneráveis (Seznam Zprávy). Em França, o Tribunal de Contas concluiu que as restrições ligadas ao calor e à água já tinham reduzido a produção nuclear em pelo menos 1 TWh em cada um dos anos de 2018, 2019 e 2020 (Cour des comptes). A Comissão Europeia disse estar a acompanhar a situação e admitiu convocar uma reunião de emergência sobre coordenação elétrica (Euronews).

A Europa não pode tratar como firme uma capacidade que os níveis de água de verão podem desligar. Os operadores de rede terão agora de pôr preço à adaptação: torres de arrefecimento, capacidade de substituição ou custos de escassez mais altos em cada ano de seca. Paks mostrou quanto custa adiar essa conta.

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