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EU_ECONOMICS08 / 08 · história do dia3 min · 717 palavras · 142 fontes

Electrolux corta 1,719 empregos em Itália

Escrito por IAto brief AI · 26 de maio de 2026, 03:50
Como foi escrita

Thousands of units fill a square where the industrial heart has stopped beating.

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o texto · 3 min de leitura

Os últimos exaustores de cozinha sairão da linha de Cerreto d’Esi antes de dezembro. Os 170 trabalhadores da fábrica da Electrolux, nas colinas das Marcas, perderão o emprego quando a produção for transferida para a Polónia. No conjunto de cinco unidades italianas, o grupo sueco anunciou, a 11 de maio, 1 719 despedimentos, reduzindo o efetivo de 4 500 para cerca de 2 800 trabalhadores (Il Fatto Quotidiano, MarketScreener). Poucas semanas antes, encerrara a fábrica húngara de Jászberény, com mais 600 postos de trabalho eliminados.

O resto do sector já está a seguir o mesmo caminho. A alemã BSH, o braço de eletrodomésticos da Bosch e da Siemens, vai encerrar duas fábricas, com 1 400 empregos eliminados até 2028. A turca Beko fechou unidades em Itália, na Polónia e no Reino Unido. A chinesa Haier encerrou a histórica fábrica da Candy, perto de Milão. A produção polaca da Samsung deverá cair 30 por cento este ano. A indústria europeia de linha branca, que fabrica máquinas de lavar, frigoríficos e fornos, está a perder capacidade produtiva de forma continuada.

O diferencial de custos que não se fecha

Os números apresentados pela Electrolux ao ministério italiano da indústria são diretos. O custo da mão-de-obra fabril na Europa Ocidental ronda os 37 euros por hora. Na Turquia, fica nos 9 euros. Na China e na Tailândia, nos 5 euros. A eletricidade industrial custa cerca de 204 euros por megawatt-hora na Europa Ocidental, contra 77 euros na Turquia. O aço laminado a frio, a chapa que acaba por formar o tambor de uma máquina de lavar, custa 31 por cento mais na Europa do que o equivalente chinês (Il Fatto Quotidiano). A Agência Internacional de Energia confirma o quadro geral: a eletricidade industrial na UE custa, em média, cerca do dobro dos níveis dos EUA e quase 50 por cento acima dos da China.

O mercado servido por estas fábricas também está a encolher. As vendas europeias de eletrodomésticos recuaram de 90 milhões de unidades em 2020 para 83 milhões em 2025 (Quotidiano.net).

Ao mesmo tempo, os fabricantes asiáticos duplicaram a sua quota no mercado europeu, de 15 por cento para perto de 30 por cento na última década. Só em Itália, a produção de eletrodomésticos caiu de 30 milhões de unidades em 2010 para menos de 10 milhões hoje (Il Foglio). Menos compradores, mais concorrência e custos mais elevados deixam pouca margem à aritmética industrial.

Palavras duras, poucas ferramentas

O ministro italiano da Indústria, Adolfo Urso, classificou o plano da Electrolux como «inaceitável» e exigiu a sua retirada. Três sindicatos metalúrgicos convocaram uma greve de oito horas. Mas a margem de intervenção do Governo é estreita. O mecanismo Golden Power, o instrumento italiano de controlo do investimento estrangeiro em sectores estratégicos, não se aplica, porque não há mudança de propriedade. A próxima reunião ministerial está marcada para 15 de junho. A Electrolux não alterou a posição.

As mesmas pressões estão a atingir o núcleo industrial alemão. A Gesamtmetall, federação patronal do sector metalúrgico, estima até 150 000 postos de trabalho perdidos no sector metalúrgico e elétrico apenas em 2026. A IG Metall, o maior sindicato industrial alemão, fala de «um perigo estrutural para a nossa base industrial».

Bruxelas tem instrumentos, mas não atingem este alvo. O Pacto para uma Indústria Limpa, a principal resposta da UE ao problema da competitividade, apoia sectores a montante, como o aço, os químicos e o alumínio. A montagem de eletrodomésticos não está na lista. A nova tarifa alemã de eletricidade industrial subsidiada, aprovada pela Comissão Europeia em abril, deverá gerar poupanças inferiores a 10 por cento do custo total da eletricidade. É pouco quando os concorrentes pagam três a quatro vezes menos pela energia.

Há ainda a união aduaneira entre a UE e a Turquia, o acordo comercial que permite a circulação de bens sem tarifas entre as duas partes. Os eletrodomésticos fabricados na Turquia entram na Europa com tarifa zero, enquanto as fábricas turcas não suportam os custos do preço europeu do carbono, das taxas energéticas ou da regulação laboral da UE. A Arçelik, o grupo turco que controla agora a Beko, produz a uma fração dos custos europeus e exporta livremente para o mercado único.

A Polónia, que já representa 39 por cento da produção europeia de grandes eletrodomésticos, continua a atrair investimento. Mas a sua vantagem de custos está a diminuir depressa. Os custos laborais subiram 7,7 por cento em termos homólogos no final de 2025, os preços da eletricidade industrial estão entre os mais elevados da UE e a própria Electrolux já está a transferir empregos de serviços de Cracóvia para a Índia (Gazeta.pl).

Bruxelas está a canalizar milhares de milhões de euros para tecnologias limpas e semicondutores. As fábricas que produzem os eletrodomésticos presentes em quase todas as casas europeias estão a desaparecer discretamente do continente, sem ocuparem um lugar claro na lista de prioridades industriais.

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5/26/2026, 3:27:18 AM
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