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EU_ECONOMICS05 / 08 · história do dia3 min · 822 palavras · 142 fontes

Fim dos apoios energéticos leva inflação a 3.2%

Escrito por IAto brief AI · 2 de junho de 2026, 14:36
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The heavy machinery of global energy markets is anchored in the European kitchen.

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A proteção fiscal que travou parte da subida da energia está a ser retirada no momento menos confortável para os consumidores. Em Madrid, uma família pagou este mês cerca de 8 a 10 euros mais pela eletricidade. Espanha repôs em 1 de junho o IVA da luz de 10% para 21%, pondo fim a uma redução de emergência criada depois de a crise iraniana ter feito disparar os preços da energia (El Español). Noutros países, o mesmo movimento está em curso: a redução italiana do imposto sobre os combustíveis termina a 6 de junho; na Alemanha, o alívio fiscal sobre os combustíveis expira a 30 de junho. Tudo isto acontece quando a inflação da zona euro subiu para 3,2% em maio, depois de 3,0% em abril (Eurostat).

Os serviços explicam a aceleração

A energia quase não mudou entre abril e maio: a inflação desta componente passou de 10,8% para 10,9%. O impulso veio dos serviços, onde entram restaurantes, rendas, seguros ou cabeleireiros. A inflação dos serviços subiu de 3,0% para 3,5%, enquanto a inflação subjacente, que exclui energia e alimentos por serem mais voláteis, avançou de 2,2% para 2,5% (BCE).

Os bancos centrais pouco conseguem fazer sobre o preço do petróleo, definido em mercados globais. A inflação dos serviços é diferente, porque reflete salários internos, rendas e custos das empresas, precisamente o terreno onde a política de taxas de juro tenta atuar. Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu, admitiu que, «mesmo que o choque energético inicial se reverta, os efeitos de segunda ordem ficarão connosco durante algum tempo» (Investing.com).

Quem absorve o custo

A média da zona euro esconde diferenças grandes. A Lituânia registou uma inflação de 5,1%, empurrada por uma subida de 39,3% no preço do gasóleo; o país importa todo o petróleo que consome e não tem subsídio aos combustíveis (LRT). A Alemanha, protegida pela redução temporária do imposto sobre combustíveis, ficou nos 2,6%, embora o Bundesbank estime que essa medida, por si só, retire cerca de 0,25 pontos percentuais à taxa de inflação (Handelsblatt).

A clivagem torna-se mais clara nos salários. Na Alemanha, os trabalhadores tiveram um ganho real de 1,8% no primeiro trimestre de 2026, porque os aumentos nominais de 4,1% superaram a inflação (Destatis). Em Espanha, o alívio não chegou da mesma forma: os acordos de contratação coletiva fixaram aumentos médios de 2,94%, abaixo da inflação, e apenas 30% dos trabalhadores abrangidos têm cláusulas automáticas de atualização ao custo de vida (Europa Press). Itália e Grécia seguem o mesmo padrão. Enquanto a diferença persistir, o poder de compra continuará a ser corroído.

Os governos criaram estas reduções fiscais como resposta de emergência à perturbação no Estreito de Ormuz, que levou o petróleo para cerca de 105 a 111 dólares por barril (SEB). O custo orçamental foi elevado. A Comissão Europeia estimou as medidas comprometidas em mais de 14,5 mil milhões de euros, sendo 72% não direcionadas a grupos específicos (Comissão Europeia). Agora, as contas públicas estão a impor a retirada. O ministro italiano do Ambiente afastou prolongar a redução do imposto sobre combustíveis (Sky TG24, Askanews). Em Espanha, a Funcas projeta que a inflação possa chegar a 4% no verão se os subsídios forem totalmente retirados e o petróleo se mantiver elevado (Funcas).

A inflação medida em maio ainda beneficiou destes escudos. As leituras de junho e julho já refletirão a sua remoção, criando aquilo a que os economistas chamam um efeito de degrau: uma subida estatística causada pelo fim dos descontos, não por uma nova pressão sobre os preços.

Os mercados atribuem uma probabilidade de 85% a 91% a que o BCE, que define as taxas de juro dos 20 países da zona euro, aumente a taxa de depósito em 0,25 pontos percentuais a 11 de junho, para 2,25% (VT Markets). Até Yannis Stournaras, governador do Banco da Grécia e uma das vozes mais cautelosas do Conselho do BCE, considerou a subida «inevitável por razões de credibilidade» (Bloomberg).

Se a inflação dos serviços em 3,5% indicar que os salários estão a tentar acompanhar os custos da energia, esperar demasiado arrisca fixar expectativas de preços mais altas. Mas o PIB da zona euro cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre de 2026 (BCE) e a confiança dos consumidores está em -19, perto do nível mais baixo desde dezembro de 2022 (Trading Economics). Subir o custo do crédito aperta as famílias dos dois lados: contas de energia mais altas e prestações de habitação mais caras. O BCE já subiu taxas perante um choque de oferta, em 2011, sob Jean-Claude Trichet, e teve de inverter a rota poucos meses depois, à medida que a crise da dívida se agravava. Desta vez, a retirada dos subsídios pode travar a procura sem ajuda adicional. Os trabalhadores que estão a perder poder de compra em Madrid e Roma não serão os que decidirão.

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6/2/2026, 2:20:26 PM
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