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EU_PUBLIC_AFFAIRS01 / 08 · história do dia3 min · 830 palavras · 126 fontes

Europa sem escudo contra o Oreshnik

Escrito por IAto brief AI · 25 de maio de 2026, 03:50
Como foi escrita

A continental defense carved in stone against a threat moving at the speed of light.

Composição da imagem · tobrief
o texto · 3 min de leitura

A Rússia lançou contra Kiev, a 24 de maio, o míssil balístico de alcance intermédio Oreshnik, capaz de transportar ogivas nucleares, no centro do maior ataque aéreo desta guerra: cerca de 600 drones e 90 mísseis numa só noite. Pelo menos quatro pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas. Entre os alvos estiveram o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, o estúdio da televisão alemã ARD e a residência do embaixador da Albânia (Kyiv Independent, Deutschlandfunk). Nenhum sistema de defesa aérea instalado na Ucrânia, ou em qualquer outro ponto da Europa, consegue intercetar este tipo de arma de forma fiável.

O Comando Operacional polaco fez levantar caças durante mais de três horas, numa postura preventiva de defesa da NATO, depois de a trajetória do míssil apontar para a fronteira oriental da Polónia (Euronews PL). Não foi uma nota diplomática nem uma condenação de circunstância. Foi uma ativação militar dentro de território aliado, provocada por uma arma que se desloca depressa de mais para os atuais intercetores terrestres.

Porque nada no arsenal europeu consegue travá-lo

O Oreshnik pertence à categoria dos IRBM, mísseis balísticos de alcance intermédio, com alcance entre 3 000 e 5 500 quilómetros e concebidos para poderem transportar ogivas nucleares. As suas ogivas reentram na atmosfera a Mach 10, dividindo-se em múltiplas submunições com alvos independentes. A essa velocidade, cada ogiva fica envolvida por plasma ionizado, que degrada a capacidade dos radares de controlo de tiro usados para guiar os intercetores até ao alvo (ifrankivchanyn.com).

Os nove sistemas alemães IRIS-T são eficazes contra mísseis de cruzeiro, mas não foram concebidos para uma ameaça balística deste tipo (Defence Ukraine). O Patriot também não oferece resposta segura a estas velocidades. O Arrow-3, o único sistema europeu pensado para esta classe de míssil, só deverá atingir plena capacidade antes de 2030 (JNS).

O SAMP/T NG franco-italiano, sistema terra-ar de nova geração, deverá ser testado em combate na Ucrânia ainda este ano contra mísseis balísticos russos (Army Recognition). Falta saber se conseguirá lidar com as submunições do Oreshnik. Essa capacidade permanece por demonstrar.

Vladimir Putin afirmou que «vários mísseis destes, mesmo com ogivas convencionais, poderiam ser tão devastadores como um ataque nuclear». A arma pode transportar cargas convencionais, mas foi desenhada para transportar ogivas nucleares. Cada utilização mantém deliberadamente essa ambiguidade. Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, classificou o lançamento como «jogo irresponsável à beira do nuclear» (Ukrainska Pravda).

A retórica mexe-se; o equipamento não

O calendário foi escolhido com intenção. Dois dias antes do ataque, o secretário de Estado norte-americano, Rubio, declarou mortas as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos (EA World View). Poucos dias antes, a Rússia concluíra exercícios nucleares com 64 000 militares, ensaiando o uso do Oreshnik e o manuseamento de ogivas nucleares na Bielorrússia (Army Recognition).

O chanceler Merz condenou a «escalada irresponsável», mas não anunciou novos compromissos militares (Spiegel). A Alemanha lidera a Iniciativa Europeia Sky Shield, um quadro de aquisição conjunta de defesa aérea que reúne 23 países, mas a sua única camada capaz de responder a mísseis de alcance intermédio é o Arrow-3, ainda a quatro anos de distância. França constrói um sistema concorrente fora desse quadro, apoiado por oito Estados parceiros sob o guarda-chuva da dissuasão nuclear europeia de Emmanuel Macron (Le Grand Continent). A Polónia, cujos caças acabaram de descolar para proteger o seu próprio espaço aéreo, não participa em nenhum dos dois programas.

A ministra dos Negócios Estrangeiros húngara, Orbán Anita, chamou ao ataque «brutal» e «inaceitável» (Telex). Budapeste também sinalizou disponibilidade para levantar o bloqueio que há muito impunha às sanções contra o patriarca russo Kirill (Euronews). Mas a Hungria continua a recusar o envio de armas e a assinatura de declarações da NATO sobre o flanco oriental. As palavras mudaram; a política não.

A Bulgária não disse nada. Uma ameaça de arbitragem de 3 mil milhões de euros, apresentada pela holding suíça que detém a refinaria Lukoil no país, mantém silencioso o Governo do primeiro-ministro Radev. A Bulgária continua a ser um dos quatro Estados da União Europeia que se recusam a apoiar um tribunal para crimes de guerra contra Putin (DW, Debati.bg).

A Estónia, que gasta 5% do PIB em defesa, foi quem formulou o problema com mais clareza. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Tsahkna, avisou que Moscovo está a tentar empurrar a Europa para «negociações de paz prematuras», destinadas a aliviar a pressão das sanções e não a acabar com a guerra (ERR). Os três presidentes bálticos exigiram que a NATO substitua as patrulhas aéreas rotativas por uma missão permanente de defesa aérea (President.ee).

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia reúnem-se esta semana. A distância entre caças polacos a descolar por causa de uma arma que não conseguem abater e a incapacidade europeia de colocar no terreno um intercetor adequado antes de 2030 será o dado concreto por trás de todas as conversas nessa sala.

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5/25/2026, 2:58:54 AM
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