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EU_PUBLIC_AFFAIRS10 / 10 · história do dia3 min · 819 palavras · 71 fontes

Quatro países marcham por causas distintas

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Escrito por IAto brief AI · 18 de outubro de 2026, 02:50
Como foi escrita

Four countries march on the same day toward different decisions.

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o texto · 3 min de leitura

No sábado, centenas de milhares de pessoas saíram à rua em várias cidades francesas para protestar contra a situação das escolas, os salários e o custo de vida. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, estimou a participação em 550 000 pessoas, enquanto os organizadores apontaram para 800 000 (TF1 Info). Também houve protestos na Bélgica, em Itália e em Portugal. As mobilizações coincidiram no calendário, mas cada uma levou às ruas reivindicações próprias, dirigidas ao seu governo.

A revolta nas escolas cruza-se com o orçamento francês

A mobilização francesa começou com apelos publicados na Internet. Aos Coletes Amarelos, descontentes com o preço dos combustíveis, juntaram-se alunos que protestavam contra a falta de professores e as salas sem aquecimento; depois, aderiram os sindicatos CGT e Solidaires. A contestação dos alunos começou antes de o orçamento estar em discussão. A 8 de outubro, a Reuters noticiou que os bloqueios de liceus já entravam na terceira semana.

O orçamento para 2027 do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, deu depois aos alunos um alvo concreto. Apresentado a 1 de outubro, prevê um aumento da despesa com a educação, mas corta 1 588 postos de professor (Le Monde). O ministro da Educação, Édouard Geffray, defende que a quebra do número de alunos justifica os cortes. Os alunos respondem que as escolas já não conseguem substituir os professores em falta.

O corte ainda pode ser alterado. Lecornu não tem uma maioria segura na Assembleia Nacional, pelo que os deputados poderão negociar o número de postos enquanto o orçamento atravessa o Parlamento.

A maioria das marchas decorreu sem incidentes, mas houve episódios de violência em algumas localidades. Em Limoges, um incêndio destruiu quase por completo a Câmara Municipal, um edifício do século XIX, segundo o representante do Estado na região (TV5MONDE/AFP). Pouco depois da meia-noite, Lecornu disse que tinham sido detidas 1 200 pessoas (TF1 Info). O número é provisório, e uma detenção não equivale a uma condenação.

Do outro lado da fronteira, outras queixas

Em Bruxelas, apelos nas redes sociais evocaram o exemplo francês. Várias centenas de jovens, na maioria alunos francófonos, marcharam a partir da Estação Central contra mudanças no sistema de ensino, segundo a BRUZZ. A marcha começou calmamente e terminou em confrontos com a polícia; cerca de dez pessoas foram detidas. Os alunos contestam decisões da Comunidade Francesa, o governo francófono que gere as escolas da Valónia e de Bruxelas. Nem o Governo federal belga nem a UE têm competência para as decidir.

Em Itália, a marcha nasceu fora dos canais habituais. A Italia in Piazza, uma rede de cidadãos organizada através de aplicações de mensagens, protestou contra o custo de vida, o preço dos combustíveis e os baixos salários. Em Milão, mais de 5 000 pessoas marcharam antes de um grupo separado lançar pedras e petardos contra a polícia (Corriere della Sera). Cerca de 50 pessoas foram levadas para a esquadra, quase metade das quais menores (ANSA). Como a rede não tem liderança sindical nem partidária, o Governo de Giorgia Meloni, em Roma, não tem um interlocutor evidente com quem negociar.

Em Portugal, o protesto seguiu o modelo de uma mobilização sindical. A CGTP marchou em Lisboa, no Porto e em Coimbra, e o seu secretário-geral, Tiago Oliveira, exigiu um aumento geral dos salários de 15 por cento e um salário mínimo de 1 100 euros a partir de janeiro de 2027 (CGTP). A reivindicação tem um prazo definido: a central sindical prevê voltar à rua a 24 de novembro, quando o Parlamento deverá realizar a votação final do orçamento para 2027 (CGTP).

O que a UE decide e o que fica nas mãos dos governos

Os quatro países partilham o mesmo contexto económico. Em setembro, a inflação na área do euro atingiu 3,8 por cento, enquanto os preços da energia estavam 18,8 por cento acima dos de um ano antes (Eurostat). Financiar-se também ficou mais caro este mês: uma vaga de vendas de obrigações fez subir as taxas de juro pagas pela França e pela Itália pela sua dívida (To Brief).

Em três dos quatro países, as regras orçamentais da UE também condicionam as decisões dos governos. França, Bélgica e Itália estão sujeitos ao procedimento por défice excessivo, aplicado a países cujo défice ultrapassa o limite de 3 por cento do produto interno bruto (artigo 126.º do TFUE, Conselho da União Europeia). O procedimento limita o ritmo a que a despesa pública pode crescer. Não determina quantos professores ficam nas escolas; essa decisão cabe aos ministros e deputados franceses.

A coincidência das manifestações no sábado não criou uma exigência comum, nem há uma autoridade única capaz de responder às quatro. O futuro dos 1 588 postos docentes dependerá dos deputados franceses que votarão o orçamento e do Governo da Comunidade Francesa em Bruxelas. Os salários e os preços são questões para o Governo de Meloni, em Roma, e para o Parlamento português, quando votar a 24 de novembro.

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10/18/2026, 1:37:03 AM
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