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EU_PUBLIC_AFFAIRS01 / 18 · história do dia3 min · 744 palavras · 38 fontes

Hormuz encarece seguros até 10%

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Escrito por IAto brief AI · 20 de julho de 2026, 02:50
Como foi escrita

Private commercial risk assessments move the Strait’s dangers into the heart of Europe.

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O estreito de Ormuz continua aberto. Mas armadores, seguradoras e bancos estão a fechá-lo por partes, decisão comercial a decisão comercial. Em condições normais, cerca de 20 milhões de barris por dia atravessam esta saída estreita do Golfo Pérsico (BBC Afrique). À medida que a escalada militar entre os Estados Unidos e o Irão torna cada viagem mais arriscada, os operadores privados estão a limitar o acesso à rota, e os custos energéticos europeus sobem sem que exista um bloqueio formal a que Bruxelas possa apontar.

Capitães esperam, seguradoras reavaliam, Europa paga

Os navios geridos por armadores gregos mostram o mecanismo. Alguns operadores recusaram um esquema de passagem coordenado pelos Estados Unidos, e cerca de nove metaneiros gregos permaneceram dentro do Golfo em vez de arriscarem a travessia (Capital/Reuters). Mais de 130 petroleiros e navios de transporte de gás foram localizados a oeste de Ormuz, à espera (OT). Os navios mercantes que avançaram desligaram os transponders de localização e aproximaram-se da costa de Omã (Politiken). O estreito é navegável. Os capitães concluem que o risco já não compensa.

Os prémios de seguro contra risco de guerra subiram para 3% a 10% do valor do casco, depois de rondarem 0,25% antes da crise (The National). A Lloyd's Market Association rejeitou relatos de que as seguradoras tivessem deixado de emitir apólices: a cobertura existe, mas o tráfego caiu porque tripulações e operadores consideraram a viagem demasiado perigosa (LMA). As transportadoras de contentores anunciaram suspensões seletivas de reservas e sobretaxas de emergência para portos do Golfo (Jordex). As tarifas spot dos VLCC, os maiores petroleiros de crude, aumentaram 11,7% numa só semana (Sahmino).

A cadeia de preços até às cozinhas europeias

A Europa não precisa de perder uma carga para sentir o impacto. Os mercados de referência incorporam o custo da próxima substituição marginal; por isso, qualquer aperto esperado na oferta do Golfo empurra de imediato os preços europeus para cima. O contrato TTF do mês seguinte, o principal índice europeu do gás natural, negociado nos Países Baixos, atingiu o nível mais alto em um mês, depois de a perturbação no Golfo ter agravado as expectativas sobre a oferta de GNL (BusinessAM, Investing.com). As cotações mediterrânicas de produtos refinados subiram 12,82% a 17,08% numa só semana (FIGISC). Nas bombas, o preço da gasolina nos Países Baixos passou de 2,205 euros para 2,297 euros por litro em duas semanas (CBS).

A capacidade de contornar Ormuz é limitada. Oleodutos e rotas terrestres conseguem desviar cerca de 3,5 a 5,5 milhões de barris por dia dos 20 milhões que normalmente passam pelo estreito; para o GNL, não existe alternativa comparável (Les Clés du Moyen-Orient). Claudio Descalzi, presidente executivo da Eni, descreveu esta como a pior crise desde os anos 1980 e apontou o gasóleo, o combustível de aviação e o GNL como os pontos de maior pressão: o crude tem mais opções de desvio, ao contrário dos produtos refinados e do gás (Corriere della Sera). A Europa entrou no verão com reservas médias de combustível de aviação inferiores a 30 dias (Corriere della Sera).

Não há mandato europeu para Ormuz

A União Europeia tem uma missão naval de proteção da navegação comercial: a EUNAVFOR ASPIDES, que já escoltou ou protegeu mais de 670 navios no mar Vermelho (EEAS). Mas Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, afirmou que os Estados-Membros querem manter a ASPIDES concentrada no mar Vermelho. Alargá-la a Ormuz exigiria novo planeamento operacional e acordo unânime entre governos da UE, duas condições que não estão em curso (EEAS). França tem navios de guerra posicionados para contingências no Golfo, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, condicionou qualquer missão de escolta ou desminagem a condições mais calmas e ao consentimento dos Estados costeiros, incluindo o Irão (Quai d'Orsay, BFMTV). A cláusula de defesa mútua da NATO, o Artigo 5.º, aplica-se apenas a ataques contra território dos Estados-Membros na Europa e na América do Norte; ataques iranianos a instalações norte-americanas no Barém ou no Kuwait não a acionariam automaticamente (NATO Treaty).

O bloqueio comercial já está a produzir custos europeus. A dimensão real desses custos aparecerá nos contratos de seguro contra risco de guerra, nos bancos que validam cartas de crédito e nos operadores que cancelam cargas. São estes atores que, na prática, decidem se Ormuz funciona. E os governos europeus não dispõem de um instrumento para lhes impor apetite pelo risco.

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