Irão exige cedências dos EUA para reabrir Ormuz

Hormuz awaits a reply, but safe passage will be measured at sea.
Composição da imagem · tobriefAntes do conflito, cerca de 125 grandes navios comerciais atravessavam diariamente o estreito de Ormuz; a 25 de setembro, eram visíveis apenas nove navios (Cyprus Mail). O Irão propôs reabrir a passagem no prazo de uma semana, desde que os Estados Unidos tomem a iniciativa. Segundo relatos, Donald Trump rejeitou a proposta, mas Teerão afirma não ter recebido qualquer resposta formal.
A notícia da rejeição foi avançada pelo Wall Street Journal, que citou responsáveis norte-americanos não identificados, segundo os quais Trump espera retomar os bombardeamentos contra o Irão depois das eleições intercalares de novembro (WSJ). A notícia permite saber o que esses responsáveis disseram ao jornal, mas não o que Washington decidiu. A Casa Branca não confirmou publicamente uma recusa, e a Deutschlandfunk, a rádio pública alemã, sublinhou que o relato não tinha confirmação oficial (Deutschlandfunk). A Berliner Zeitung publicou uma notícia da Reuters segundo a qual o Irão continuava à espera de uma resposta oficial dos EUA (Berliner Zeitung).
Washington age primeiro, o Irão abre depois
Abbas Araghchi, ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, apresentou o plano na ONU e afirmou que este chegara a Washington por intermédio do Qatar (gravação da ONU). Nada começa antes de os EUA aceitarem. Segundo Araghchi, a partir daí Washington atuaria durante quatro ou cinco dias; o Irão reabriria o estreito no sexto dia, e as negociações para um acordo final começariam no sétimo (gravação da ONU).
No centro do acordo estão dois pedidos iranianos: que os EUA levantem o bloqueio naval aos portos do Irão e aliviem as sanções ao petróleo, segundo a Associated Press (AP). Teerão pede ainda a libertação de fundos congelados e um cessar-fogo que inclua o Líbano.
Washington ainda não rejeitou a proposta em público. No dia em que Araghchi falou, um responsável norte-americano qualificou de «positivos e construtivos» os contactos através de mediadores, noticiou a Reuters (Reuters via Al-Monitor). A declaração aponta para disponibilidade para dialogar, sem excluir uma recusa em privado.
Quem pode agir — e quem não pode
O bloqueio é a carta mais forte de Washington. O Comando Central dos EUA afirmou ter desviado 115 navios comerciais que seguiam para portos iranianos ou deles vinham até 23 de setembro (CBS). A sequência proposta pelo Irão exige que os EUA abdiquem dessa posição antes de a promessa iraniana ser posta à prova no mar.
A cadeia de decisão é curta. Washington pode responder à proposta e alterar o bloqueio e as sanções. O Irão pode reabrir a passagem. A condição relativa ao Líbano é mais difícil de cumprir, porque depende de Israel: Washington pode pressionar o Governo israelita, mas não pode vinculá-lo.
A Europa está fora deste acordo, mas suporta parte dos seus custos. Antes da guerra, cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo passava pelo estreito, pelo que a perturbação chega às famílias e à indústria europeias através dos preços globais (EIA). A 24 de setembro, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, apoiou uma declaração subscrita por 80 países que exigia a abertura plena de Ormuz (Handelsblatt). A declaração aumenta a pressão, mas não altera os termos da troca.
Outras iniciativas europeias procuram proteger alternativas, em vez de reabrir o estreito. Emmanuel Macron anunciou o envio de militares, radares e sistemas de defesa aérea para Yanbu, o terminal petrolífero da Arábia Saudita no Mar Vermelho, embora não tenha especificado os efetivos nem a data de início (Le Monde). Yanbu permite que parte do crude saudita chegue aos compradores sem passar por Ormuz, e protegê-lo salvaguarda essa rota alternativa. Kaja Kallas, responsável pela política externa da UE, está a pedir aos Estados-Membros mais navios e aviões para a Aspides, a missão europeia que protege a navegação no Mar Vermelho dos ataques dos Houthis (Euronews). Nada indica que essa missão esteja a operar em Ormuz.
Como se verá a reabertura
O número de navios oferece um teste mais claro do que a diplomacia. A Organização Marítima Internacional tinha confirmado 85 incidentes e 24 mortes de marítimos na zona até 24 de setembro, segundo o mesmo artigo do Cyprus Mail (Cyprus Mail). Os grandes petroleiros continuam a transportar volumes consideráveis de petróleo, pelo que o baixo número de travessias não significa que as exportações tenham parado.
É essa incerteza que explica a cautela. Armadores, tripulações e seguradoras decidem, rota a rota, se a passagem oferece condições de segurança suficientes. Depois de meses de ataques, vão querer ver navios a atravessar o estreito dia após dia antes de confiarem em qualquer anúncio de Teerão ou de Washington.
Teerão apresentou um calendário condicionado, e Washington ainda não lhe respondeu publicamente. A notícia do Journal sugere que a resposta poderá ser negativa, embora se baseie em responsáveis que não foram identificados. Ormuz estará aberto quando os navios retomarem as travessias regulares; será a contagem diária a mostrar se isso aconteceu.
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