Míssil russo atinge central térmica de Kyiv

Kyiv waits to learn how much warmth the strike has taken.
Composição da imagem · tobriefÀ entrada do inverno, os habitantes de Kyiv ainda não sabem quanta capacidade de aquecimento se perdeu depois de um míssil balístico russo ter atingido, por volta das 22h40 de 13 de outubro, a central de cogeração n.º 4 de Darnytsia, segundo o Presidente Volodymyr Zelenskyy. O chefe de Estado afirmou que os aliados voltaram a não emitir qualquer aviso de lançamento (Ukrainska Pravda, Radio Svoboda). Outros meios de comunicação reproduziram o seu relato, mas nenhum divulgou que danos o míssil causou.
O mesmo ataque atingiu um prédio de apartamentos de nove pisos. Citando o presidente da Câmara de Kyiv, Vitali Klitschko, a BBC noticiou uma pessoa morta e 13 feridas, quatro com gravidade (BBC). Este balanço não inclui um incidente distinto, ocorrido de manhã, em que destroços de alvos intercetados danificaram uma casa particular e feriram uma mulher (TSN).
Porque é que esta central é importante
Uma central de cogeração produz eletricidade e aquece a água que circula pelas tubagens até aos radiadores de bairros inteiros. Esta serve o distrito de Dniprovskyi e parte de Darnytskyi, em Kyiv; quando foi atingida em fevereiro de 2026, mais de 1 000 edifícios ficaram sem aquecimento e água quente, incluindo escolas e unidades de saúde (BBC).
Ainda não se sabe se o ataque desta vez causou danos maiores ou menores. Nem a operadora nem a câmara municipal divulgaram números sobre a perda de produção, as casas que ficaram sem aquecimento ou o prazo de reparação (Radio Svoboda). Kyiv já tinha cortes de eletricidade programados para esse dia, mas a operadora da rede, Ukrenergo, e a empresa de energia DTEK tinham definido os horários antes do ataque, pelo que esses cortes não permitem avaliar os danos (Suspilne).
Um cessar-fogo que ninguém assinou
O ataque ocorreu no meio de uma disputa sobre uma trégua. Donald Trump declarou, a 11 de outubro, um cessar-fogo no sector energético. Questionado sobre a razão por que nem Kyiv nem Moscovo o tinham confirmado, respondeu: «Concordaram porque eu disse que concordaram» (Kyiv Independent).
Zelenskyy propôs deixar de atacar refinarias russas se a Rússia poupasse a rede elétrica ucraniana. O Kremlin limitou-se a falar na continuação dos contactos. Segundo Zelenskyy, a Ucrânia suspendeu durante dois dias os ataques a instalações energéticas russas (AP).
Não foi publicado qualquer documento que fixe a hora de início da trégua, defina que instalações ou armas estão abrangidas, ou indique quem verificará eventuais violações. Kyiv classifica o ataque como uma violação, mas para haver violação têm de existir termos acordados. Segundo o relato de Zelenskyy, a Rússia atingiu uma central de aquecimento durante uma pausa que Moscovo nunca aceitou publicamente.
Os avisos que não chegaram
A segunda queixa de Zelenskyy diz respeito aos próprios mísseis. Depois do primeiro ataque, a 12 de outubro, Yurii Ihnat, porta-voz da Força Aérea, afirmou que os parceiros não tinham transmitido dados de lançamento e que os radares ucranianos só detetaram os mísseis já com o ataque em curso (Ukrainska Pravda). Um míssil balístico chega a Kyiv em poucos minutos, pelo que a Ucrânia depende dos aliados, sobretudo dos satélites norte-americanos, para detetar lançamentos e emitir avisos. Um especialista norueguês citado pela Reuters afirmou que a capacidade europeia para fornecer esse tipo de alerta a partir do espaço é muito inferior à dos EUA (Reuters via TimesLIVE).
As explicações divergem. Segundo a Politico, responsáveis norte-americanos atribuíram a primeira falha ao mau tempo, uma explicação que Kyiv contestou (Politico). O ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, negou que a partilha de informações tivesse sido suspensa de forma geral, e Trump afirmou: «Estamos a ajudá-los e a partilhar informações» (AP). Não há provas públicas de que alguém tenha retido deliberadamente um aviso, e continua por explicar por que razão falharam os alertas em duas noites seguidas.
Os governos europeus estão a pagar a reparação dos estragos causados pelos mísseis. A 4 de outubro, o chanceler Friedrich Merz comprometeu-se a disponibilizar cerca de 350 milhões de euros para infraestruturas energéticas ucranianas, incluindo geradores, subestações e reparações (Governo alemão). Esse dinheiro pode ajudar a reconstruir uma central danificada, mas não resolve a falta de aviso de lançamento; a Europa não dispõe de uma rede própria de satélites pronta a colmatar essa lacuna.
Há duas respostas que permitiriam aos habitantes de Kyiv perceber em que situação estão. A operadora da central deve apresentar-lhes uma avaliação dos danos, indicando quanta capacidade de aquecimento se perdeu e durante quanto tempo. Washington deve explicar a Kyiv o que os seus sensores detetaram nessas duas noites e que informação transmitiu.
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- 10/14/2026, 1:38:30 AM
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