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EU_PUBLIC_AFFAIRS04 / 08 · história do dia3 min · 777 palavras · 142 fontes

Lituânia desafia Washington pela potassa de Belarus

Escrito por IAto brief AI · 26 de maio de 2026, 03:50
Como foi escrita

A single grain of potash blocks the transit route to the West.

Composição da imagem · tobrief
o texto · 3 min de leitura

Os Estados Unidos pediram à Lituânia, à Polónia e à Ucrânia que voltassem a permitir a passagem de potassa bielorrussa pelo seu território. Os três países recusaram. O pedido, enviado em maio de 2026 através de um "nonpaper" do Departamento de Estado — um documento informal, sem atribuição oficial — expôs uma diferença estrutural na política transatlântica de sanções. Washington já retirou as suas próprias restrições à Belaruskali, o monopólio estatal bielorrusso da potassa. A União Europeia só pode fazer o mesmo se houver acordo entre os 27 Estados-Membros. O bloqueio é jurídico antes de ser diplomático.

Porque nenhum país pode dizer sim sozinho

As sanções europeias à potassa bielorrussa estão inscritas no Regulamento (CE) n.º 765/2006 do Conselho, uma norma diretamente aplicável a todas as autoridades aduaneiras, operadores ferroviários e terminais portuários dos Estados-Membros (finance.ec.europa.eu). O regulamento proíbe não apenas a importação, mas também o trânsito e o transporte de cloreto de potássio bielorrusso em território da UE (gov.ie). O ministro dos Negócios Estrangeiros lituano, Kęstutis Budrys, resumiu a questão sem margem para ambiguidade: enquanto as sanções europeias estiverem em vigor, «tais atividades não podem ser realizadas na Lituânia, na Letónia ou na Polónia» (LRT).

A adoção destas sanções exigiu unanimidade no Conselho da UE, onde todos os Estados-Membros têm de concordar. A sua suspensão exige o mesmo procedimento. Em fevereiro de 2026, a UE renovou por unanimidade as sanções contra a Bielorrússia até fevereiro de 2027, mantendo expressamente as restrições à potassa (Mayer Brown). O documento norte-americano pede, portanto, a três países que façam algo que o direito europeu não lhes permite fazer isoladamente. O Presidente lituano, Gitanas Nausėda, disse-o de forma direta: «Não poderíamos mudar nada, mesmo que quiséssemos.»

Prisioneiros em troca de potassa

O argumento de Washington assenta numa lógica transacional. Desde janeiro de 2025, John Coale, enviado de Donald Trump, visitou Minsk várias vezes e conseguiu a libertação de mais de 500 presos políticos, incluindo o Nobel da Paz Ales Bialiatski e a líder da oposição Maria Kolesnikova, em troca de alívios sucessivos nas sanções norte-americanas (Euronews, RFE/RL). Em março de 2026, Washington já tinha retirado por completo a Belaruskali da sua lista de sanções. O nonpaper sugeria que as receitas europeias de trânsito poderiam financiar a defesa da Ucrânia, uma formulação pensada para tornar politicamente mais difícil a recusa.

A tese de que aliviar sanções poderia afastar a Bielorrússia da Rússia esbarra, contudo, em factos militares difíceis de contornar. Em dezembro de 2025, na mesma semana do acordo sobre a potassa, a Rússia instalou na Bielorrússia o sistema de mísseis Oreshnik, com capacidade nuclear (Arms Control Association). O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiha, rejeitou essa leitura: «Não deve haver ilusões de que alguém, através de concessões, conseguirá retirar a Bielorrússia da esfera de influência da Rússia» (Interfax Ukraine).

O preço de dizer não

A recusa lituana tem um custo económico real. A potassa bielorrussa chegou a representar quase um terço do volume de carga do porto de Klaipėda. A sua perda custou cerca de 14 milhões de euros por ano em receitas portuárias, e o terminal que tratava esses carregamentos viu as receitas caírem de 96 milhões para 3,2 milhões de euros (Lrytas). A Polónia manteve um silêncio estratégico: Varsóvia nunca confirmou nem desmentiu ter recebido o nonpaper, embora a incompatibilidade da bitola ferroviária com a Bielorrússia ofereça uma barreira técnica conveniente, além da barreira jurídica (Rzeczpospolita).

A UE continuou a apertar o regime sancionatório. O 20.º pacote de sanções, adotado em abril de 2026, acrescentou novas entidades bielorrussas à lista e aumentou as tarifas sobre a potassa bielorrussa que chega ao bloco (Mayer Brown).

Dmytro Lytvyn, conselheiro presidencial ucraniano, identificou o risco sistémico: «Isto dá a Putin confiança de que as sanções podem ser aliviadas» (RBC-Ukraine). Se uma sanção setorial europeia de grande visibilidade puder ser desmontada através de pressão bilateral dos Estados Unidos sobre capitais individuais, o mesmo método poderá ser tentado sobre as restrições à energia russa ou ao sistema financeiro. O próximo teste chegará em fevereiro de 2027, quando as sanções à Bielorrússia tiverem de ser renovadas por unanimidade. Qualquer Estado-Membro pode bloquear a extensão. A Hungria já usou esse poder em pacotes contra a Rússia, embora, sob o novo Governo liderado por Péter Magyar, Budapeste se tenha aproximado da linha dominante da UE.

Noutro plano, Lukashenko acenou com a venda de uma mina por 3 mil milhões de dólares a investidores norte-americanos (Euromaidan Press). Se empresas dos Estados Unidos entrarem na produção bielorrussa de potassa, o pedido discreto de Washington passará a vir acompanhado de um interesse comercial direto.

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5/26/2026, 3:12:29 AM
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