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EU_PUBLIC_AFFAIRS10 / 10 · história do dia3 min · 868 palavras · 46 fontes

Ormuz: nove navios danificados, 12 casos por confirmar

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Escrito por IAto brief AI · 8 de outubro de 2026, 02:50
Como foi escrita

Damage near Hormuz makes the passage riskier, even before cargoes fail to arrive.

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o texto · 3 min de leitura

A Europa depende do estreito de Ormuz para receber petróleo do Golfo e gás do Qatar. Na semana passada, foram danificados navios-tanque nas imediações da passagem; três fontes anónimas ligadas à segurança marítima disseram à Reuters que registaram pelo menos doze incidentes com petroleiros e navios de transporte de gás entre 28 de setembro e 5 de outubro. Descreveram esse número como o mais elevado numa semana desde o início da guerra entre os EUA e o Irão, a 28 de fevereiro (Reuters). Os registos públicos confirmam danos em navios, mas não permitem saber quantos dos doze casos foram ataques nem medir o custo da semana para a Europa.

Duas contagens que medem coisas diferentes

As fontes não divulgaram uma lista de casos nem explicaram os critérios usados. «Incidentes» pode abranger desde um míssil que atinge um navio até uma ameaça transmitida por rádio. A Reuters é o único órgão de comunicação social que reportou o número com base em informação independente; os meios que o reproduziram não acrescentam confirmação.

A Organização Marítima Internacional (IMO), agência das Nações Unidas para o transporte marítimo, mantém um registo mais restrito, que inclui apenas navios danificados. A 6 de outubro, a lista identificava nove navios danificados entre 28 de setembro e 4 de outubro (IMO). A Reuters assinalou que o total ultrapassava os oito navios registados na semana de 13 de julho, até então o valor mais elevado da agência (Reuters).

O período contabilizado pela IMO termina um dia antes do intervalo referido pelas fontes anónimas. Ambos apontam para uma semana difícil, mas nenhum permite identificar os doze casos. A diferença pode corresponder a ameaças, a relatos recebidos com atraso ou a ataques que a IMO ainda não registou.

As ameaças são reais. A 5 de outubro, o comandante de um navio disse à UK Maritime Trade Operations (UKMTO), centro britânico que recolhe relatos de navios comerciais, que a Guarda Revolucionária iraniana ameaçara atacar o petroleiro que entrava no estreito (UKMTO). O navio voltou para trás e não foram comunicados danos. Não se sabe se episódios como este estão incluídos nos doze casos. Alguns relatos de ataques também só surgem dias depois, pelo que o total de uma semana pode continuar a aumentar depois de esta terminar.

Travessias mais caras, fluxos de gás mais reduzidos

O Lipsi, petroleiro de crude gerido pela empresa grega Dynacom e com bandeira da Libéria, foi danificado a 4 de outubro (IMO). Nesse dia, o Centro Conjunto de Informação Marítima (JMIC), uma estrutura liderada pela Marinha dos EUA que reúne relatos de ameaças à navegação comercial, publicou uma atualização. Especialistas do sector marítimo que a divulgaram referiram que outros navios perderam a propulsão ou a energia e que um drone entrou na chaminé de um petroleiro (gCaptain).

A autoria dos ataques continua por esclarecer. Nos avisos sobre ataques, a UKMTO descreve os projécteis como desconhecidos. Segundo os mesmos relatos de especialistas, o JMIC interpreta o padrão como uma forma de a Guarda Revolucionária manter a pressão sobre a navegação (gCaptain). Trata-se de uma avaliação sobre as intenções, transmitida por terceiros, que não prova quem esteve por trás de cada impacto.

Há menos navios a atravessar o estreito. A empresa de rastreamento marítimo Windward contou 13 travessias no domingo, 4 de outubro, contra 24 no domingo anterior, segundo o Financial Times. Dois domingos não bastam para estabelecer uma tendência, e a guerra no seu conjunto poderá explicar a descida tanto quanto os incidentes da semana passada.

A travessia também ficou mais cara. Os corretores indicaram prémios de seguro contra riscos de guerra na ordem dos 6 a 10 por cento do valor do casco, o custo adicional que os armadores pagam para navegar numa zona de conflito (Financial Times).

As exportações de gás continuam muito abaixo dos níveis habituais. Pelo menos três navios metaneiros saíram de Ormuz por volta de 5 de outubro. Ainda assim, em setembro, os volumes de GNL expedidos pelo estreito ficaram mais de 75 por cento abaixo dos níveis anteriores à guerra, segundo informação da Bloomberg baseada em dados de navegação da Kpler (Energy Connects).

Os dados de um terminal europeu não mostram uma quebra súbita. O terminal Gate, em Roterdão, registou cinco chegadas de navios de GNL entre 28 de setembro e 5 de outubro, contra três na semana anterior; todos foram identificados como provenientes dos EUA ou provavelmente dos EUA (Gaspeil). O número diz respeito a um só terminal e não permite avaliar o abastecimento da Europa no seu conjunto. Além disso, os carregamentos do Golfo demoram semanas a chegar, pelo que os danos da semana passada ainda não se reflectiriam nos desembarques europeus.

Os danos em navios perto de Ormuz estão confirmados, e a contagem da IMO atingiu um recorde. Os doze ataques, porém, não estão comprovados. Até agora, a exposição europeia traduz-se em menos travessias e seguros mais caros, sem uma quebra mensurável do abastecimento; isso poderá mudar se os carregamentos deixarem de chegar. Só as três fontes podem esclarecer o que incluíram nos doze casos. Uma série semanal pública e coerente da JMIC e da UKMTO permitiria avaliar futuras alegações de recordes com base em dados verificáveis.

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