Pentágono retira submarinos da NATO

The formal promises of reinforcement are severed, leaving Europe tethered to an invisible void.
Composição da imagem · tobriefOs Estados Unidos comunicaram aos aliados que deixarão de disponibilizar submarinos à NATO, reduzirão em um terço o compromisso em caças e cortarão para metade o contingente de bombardeiros estratégicos. Os números foram apresentados pelo enviado do Pentágono Alexander Velez-Green numa reunião fechada no quartel-general da NATO, na semana passada (Defense News, El País). Washington quer que os europeus apresentem, até ao início de junho, planos para preencher essas lacunas.
A brecha que o Congresso não consegue fechar
O corte passa pelo NATO Force Model, ou Modelo de Forças da NATO: um registo classificado em que os Estados-Membros indicam antecipadamente que meios militares podem ser mobilizados em três níveis de prontidão para uma crise. Os EUA não estão a retirar tropas da Europa. Estão a retirar a promessa formal de que certos reforços chegariam em caso de guerra (Stars and Stripes).
O Congresso pode bloquear uma saída dos EUA do tratado da NATO e pode fixar mínimos legais para a presença militar norte-americana na Europa. Mas os compromissos inscritos no NFM pertencem à esfera classificada da decisão executiva e não são regulados por lei específica (Military Times). Na prática, o Pentágono pode esvaziar parte da arquitetura de resposta a crises da NATO sem que haja uma votação no Capitólio.
Elbridge Colby, subsecretário da Defesa para a Política e principal impulsionador desta mudança, tem sido direto: os aliados europeus são «substancialmente mais poderosos do que a Rússia» e devem assumir a responsabilidade principal pela sua própria defesa convencional (war.gov). A prioridade de Washington é libertar meios norte-americanos para um eventual conflito com a China.
O que o dinheiro não compra a tempo
O International Institute for Strategic Studies estima que substituir as capacidades convencionais dos EUA na NATO custaria cerca de um bilião de dólares ao longo de 25 anos (The National News). O Instituto de Kiel coloca a necessidade imediata em 50 mil milhões de euros por ano de despesa adicional coordenada (Meta-Defense). O problema mais difícil, porém, não é apenas orçamental. É físico e industrial.
Só os Estados Unidos operam o EA-18G Growler, o avião que interfere com radares inimigos para permitir que caças de ataque sobrevivam em espaço aéreo disputado. A Europa não tem equivalente. Sem Growlers, os aviões europeus enviados contra defesas russas S-400 e S-500 enfrentariam redes de radar que não conseguem neutralizar de forma comparável (RUSI).
Os submarinos de ataque de propulsão nuclear colocam um problema semelhante. Os Virginia norte-americanos têm autonomia subaquática praticamente ilimitada e podem lançar mísseis de cruzeiro em segredo a mais de 1 500 quilómetros. Os submarinos europeus diesel-elétricos têm de emergir a cada 24 a 72 horas. Só França e Reino Unido operam submarinos de ataque nucleares, e a prontidão britânica é frágil: em março de 2026, apenas um dos cinco Astute estava destacado operacionalmente (19FortyFive).
A mesma assimetria surge no reabastecimento aéreo. Os EUA dispõem de mais de 400 aviões-tanque. Toda a NATO europeia, somada, terá cerca de 50 a 60 (Defense News).
Treze países europeus compraram F-35 em parte como seguro político de que Washington continuaria comprometido com a defesa europeia. Mas o F-35 foi concebido para operar dentro de uma rede norte-americana de gestão de combate, com AWACS, aviões de radar aerotransportado, Growlers e aviões-tanque. Sem esse ecossistema, os F-35 europeus continuam a ser plataformas de quinta geração, mas sem o apoio de quinta geração para que foram desenhados (RUSI).
O limite industrial
A produção europeia de caças deverá atingir cerca de 72 aeronaves por ano até 2030, somando as linhas Eurofighter, Rafale e Gripen. O IISS estima que a Europa precise de mais 400 aviões de combate tático. Mesmo no ritmo máximo, e sem exportar uma única unidade, seriam mais de cinco anos de produção.
França aprovou no Parlamento mais 36 mil milhões de euros de despesa militar até 2030 (Le Monde). Mas a linha Rafale está já ocupada com encomendas externas e os submarinos nucleares franceses são instrumentos soberanos, não meios disponíveis para uma reserva comum da NATO (IFRI).
Os países mais próximos da Rússia sentem a pressão primeiro. A Polónia gasta 4,81% do PIB em defesa, a percentagem mais alta da NATO, mas não opera submarinos e os seus F-35 só deverão atingir plena capacidade em 2030 (Bankier.pl). O ministro da Defesa finlandês, Antti Häkkänen, descreveu a situação como «um momento sério para a Europa» (IS.fi).
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, apresentou a mudança como esperada: «Toda a gente sabia que isto estava a acontecer» (NATO). A Noruega reagiu com cautela, pedindo uma transição «de forma estruturada» (Le Monde). A cimeira de Ancara, marcada para 7 e 8 de julho, deverá formalizar o novo plano de partilha de encargos. A janela de vulnerabilidade vai de agora até, pelo menos, 2030. Nenhum compromisso político acelera a construção de um submarino que demora uma década a ficar pronto.
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