Polónia trava cortes aos €123 Billion

Poland’s demand leaves Europe’s shrinking budget room with nowhere to move.
Composição da imagem · tobriefA Polónia fixou a sua linha vermelha: a fatia de 123 mil milhões de euros que lhe cabe na proposta para o próximo orçamento de sete anos da União Europeia não é negociável (gov.pl, Polskie Radio). Do outro lado, a Alemanha e cinco outros Estados-Membros ricos querem cortar centenas de milhares de milhões ao plano de despesa da Comissão Europeia, que se aproxima dos 2 biliões de euros. O quadro financeiro plurianual, que fixa o tecto vinculativo da despesa europeia por sete anos, exige unanimidade entre os 27 governos. Basta, portanto, um país bloquear o acordo.
António Costa, presidente do Conselho Europeu, estará em Varsóvia a 9 de Setembro, no quadro de uma ronda de quatro semanas pelas capitais europeias para medir as posições de cada governo antes da cimeira de Outubro. A Irlanda, que terá a presidência rotativa do Conselho da UE e conduzirá as negociações entre Estados-Membros, quer fechar o acordo até Dezembro (Euronews, European Movement Ireland). Como o To Brief noticiou quando Berlim reuniu o seu bloco de contenção orçamental na semana passada (To Brief), o calendário está a encurtar e as posições estão a cristalizar.
O que cobre realmente a dotação polaca
Os 123 mil milhões de euros não dizem respeito apenas a estradas, pontes ou obras regionais. Segundo o Ministério polaco dos Fundos de Desenvolvimento, a dotação agregaria num único plano verbas de coesão, apoios agrícolas, gestão de fronteiras, fundos para migração, compensações climáticas e nova despesa ligada à defesa (gov.pl). Cortar esta verba não significaria aparar um programa isolado: pressionaria simultaneamente agricultores, polícia de fronteira e investimento regional.
A imprensa polaca estima que o país pagaria cerca de 73 mil milhões de euros para o orçamento europeu ao longo do período, ficando com um benefício líquido de aproximadamente 50 mil milhões de euros caso a alocação total seja preservada (Next Gazeta, Interia). Varsóvia não está sozinha. O Presidente romeno disse a Costa que a coesão e a agricultura devem continuar a ter verbas substanciais (Mediafax), e Bucareste afirma que 17 Estados-Membros contestam cortes de cerca de 10 por cento nas despesas agrícolas e regionais previstas no projecto da Comissão (RRI). Espanha defende a mesma linha: nova despesa em defesa e competitividade não deve ser financiada à custa dos apoios agrícolas (Infobae).
O que querem os contribuintes líquidos
Friedrich Merz reuniu a Dinamarca, os Países Baixos, a Áustria, a Finlândia e a Suécia a 27 de Agosto. Na declaração conjunta, os seis governos defenderam que a proposta da Comissão deve ser reduzida «em várias centenas de milhares de milhões de euros, de forma equilibrada» e que todas as rubricas de despesa, incluindo agricultura e coesão, devem contribuir para a poupança (Bundesregierung). O grupo rejeita também novo endividamento comum da UE (ORF). Com os orçamentos nacionais sob pressão, o aumento de até 60 por cento proposto pela Comissão é, nas palavras de Merz, «incomportável» (FAZ).
A Lituânia mostra por que razão este conflito não se arruma facilmente em dois campos, um a defender agricultura e coesão, outro a exigir mais defesa. Em Vilnius, o Presidente Gitanas Nausėda disse a Costa que o orçamento deve reflectir a nova realidade de segurança europeia, com mais financiamento para defesa e mobilidade militar, mas advertiu que as novas prioridades «não devem ser resolvidas enfraquecendo a política de coesão» (Delfi). Os países de Leste querem ambas as coisas. O dinheiro, por isso, não pode simplesmente ser deslocado de uma rubrica para outra.
A conta que não fecha
Defesa, competitividade, compromissos com a Ucrânia e 149,3 mil milhões de euros em reembolsos da dívida comum contraída durante a pandemia precisam todos de financiamento (European Parliament). Se a dotação polaca for protegida, se Espanha e Roménia blindarem os apoios agrícolas, e se a despesa de defesa aumentar, restam três caminhos: os contribuintes líquidos pagam mais, a UE cria novas receitas próprias, ou outras áreas encolhem. O comissário europeu do Orçamento, Piotr Serafin, mantém-se optimista quanto a um acordo durante a presidência irlandesa (Irish Times); Costa avisa que a falta de acordo antes de os programas expirarem em 2028 interromperia financiamento em toda a Europa (Brussels Times).
O optimismo não resolve uma negociação orçamental. Enquanto ninguém disser se a UE vai criar novas receitas, aceitar cortes mais profundos ou voltar a endividar-se em comum, a linha vermelha da Polónia e a linha vermelha da Alemanha continuarão dentro do mesmo tecto de despesa. Uma delas terá de ceder.
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