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EU_ECONOMICS12 / 18 · história do dia3 min · 768 palavras · 49 fontes

Exportações recorde escondem crise russa dos combustíveis

Escrito por IAto brief AI · 29 de junho de 2026, 03:50
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As refining capacity fails, the infrastructure of scarcity accumulates across the Russian interior.

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Os ataques ucranianos com drones destruíram mais de um quinto da capacidade de refinação da Rússia, provocando falta de combustíveis em 55 das 83 regiões russas. Ao mesmo tempo, os carregamentos de crude nos portos ocidentais russos caminham para um máximo em junho, em torno de 2,7 a 2,8 milhões de barris por dia. Sai mais petróleo do país do que nunca, enquanto os consumidores russos fazem fila por gasolina.

A explicação está na função das refinarias. Uma refinaria transforma petróleo bruto nos combustíveis usados todos os dias: gasolina, gasóleo, combustível de aviação. A Ucrânia não está a tentar impedir a Rússia de extrair crude. Está a destruir a sua capacidade de transformar esse crude em produtos utilizáveis. O petróleo que deixa de poder ser processado internamente é encaminhado para terminais de exportação, razão pela qual os embarques marítimos sobem ao mesmo tempo que as bombas de abastecimento ficam sem combustível (Tagesspiegel).

A refinaria de Moscovo dá a escala do problema. Processou cerca de 11,6 milhões de toneladas de crude em 2024 e ficará agora parada durante meses (Focus). Quando uma unidade desta dimensão sai de serviço, desaparecem ao mesmo tempo gasolina e gasóleo do mercado interno. A produção de gasolina na Rússia caiu para cerca de 90 000 toneladas por dia, aproximadamente um quarto abaixo da média diária de junho. Também se deteriora a qualidade do combustível que ainda consegue produzir. Fontes polacas relatam uma descida de emergência das normas Euro 5 para Euro 3, o que significa combustível mais poluente e com maior teor de enxofre, porque a produção de maior especificação já não chega para satisfazer a procura (Business Insider Polska, Money.pl).

Quem paga dentro da Rússia

Os primeiros a sentir o aperto são os consumidores e agricultores russos. A Crimeia suspendeu a venda de combustíveis a particulares em 21 de junho. Em Irkutsk, as autoridades impuseram limites de litros por veículo, proibiram compras em jerricãs e deram prioridade aos serviços de emergência e à agricultura (Devdiscourse/Reuters). Putin reconheceu a necessidade de garantir combustível antes das colheitas (Rzeczpospolita). O ministro da Agricultura do Tartaristão aconselhou os agricultores a manterem reservas para dez dias a duas semanas (The Moscow Times).

A pressão orçamental é concreta. A Rússia paga subsídios às refinarias, conhecidos como pagamentos de compensação, para manter estáveis os preços internos dos combustíveis. Só em maio, esses pagamentos subiram para 204 mil milhões de rublos. A factura cresce no pior momento: as receitas do petróleo e do gás caíram 30 por cento em termos homólogos entre janeiro e maio, e o défice federal chegou a 6,0 biliões de rublos (KSE Chartbook). Os danos nas refinarias também deslocam as exportações de gasóleo e gasolina, que valem mais porque incorporam valor acrescentado, para crude em bruto, que rende menos por barril.

As Forças Armadas russas deverão sentir a escassez mais tarde, porque os utilizadores militares têm prioridade. Analistas polacos avisam, porém, que qualquer tese sobre falta imediata de combustível no campo de batalha continua a ser uma hipótese, não um facto estabelecido (Onet).

O problema europeu é político, não está nas bombas

Para os condutores europeus, o efeito direto nos preços parece limitado. Mais crude russo a entrar nos mercados mundiais pode até exercer alguma pressão em baixa sobre o preço global do petróleo (Tagesschau). O problema real está dentro do processo europeu de sanções.

A única grande refinaria da Bulgária, a unidade Neftochim de Burgas, ligada à Lukoil, fornece cerca de 60 por cento do combustível do país. Sófia está a usar essa dependência para resistir ao 21.º pacote de sanções proposto pela União Europeia, que apertaria as restrições à propriedade ligada à Rússia. O ministro dos Negócios Estrangeiros búlgaro descreveu a posição como «reservas», não como veto formal, mas o argumento energético já está a moldar as negociações (BNR News, Euronews).

No caso da Hungria, a dependência é também lucrativa. A refinadora MOL compra crude russo Urals com desconto, mas fixa o preço dos produtos refinados contra a referência internacional Brent, ficando com a diferença. Budapeste construiu mesmo um imposto sobre lucros extraordinários em torno dessa margem (24.hu). Sanções mais apertadas que reduzam o desconto do Urals apagariam tanto a margem da MOL como a base fiscal do Governo.

Entretanto, a KSE estimou que 192 petroleiros da frota-sombra transportaram crude ou produtos russos só em abril. Os ataques ucranianos e as sanções europeias atingem partes diferentes da mesma cadeia petrolífera. Os ataques criam escassez física dentro da Rússia. As sanções tentam limitar a receita que Moscovo obtém com aquilo que ainda consegue exportar. Mas, enquanto os Estados-Membros negociarem em terra em torno da dependência das refinarias e os petroleiros da frota-sombra continuarem a circular no mar, nenhum dos instrumentos funcionará por inteiro.

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6/29/2026, 3:30:40 AM
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