Roménia reduz défice, mas setembro agrava saldo

Higher tax receipts narrow Romania’s deficit, but September widens the gap again.
Composição da imagem · tobriefEntre janeiro e setembro de 2026, o Estado romeno gastou mais 78,52 mil milhões de lei do que recebeu, abaixo dos 102,47 mil milhões registados nos mesmos meses de 2025, segundo o Ministério das Finanças (AGERPRES). A redução corresponde a menos dinheiro em falta nas contas públicas. Mas, em setembro, o défice mensal foi maior do que um ano antes, o que torna o progresso menos seguro do que o total acumulado sugere.
Os governos costumam apresentar o défice como percentagem do PIB, o valor total do que uma economia produz num ano. Essa proporção pode baixar apenas porque a economia cresceu, mesmo que o Estado peça tanto dinheiro emprestado como antes. No caso romeno, porém, o montante em lei também diminuiu: foram menos 23,95 mil milhões, uma redução de 23,4 por cento (Mediafax).
De onde veio a margem orçamental
O Estado não reduziu a despesa. As receitas aumentaram 11,8 por cento face ao ano anterior, enquanto a despesa cresceu 5,5 por cento, segundo os dados do Ministério das Finanças (Economica.net). A receita cresceu, portanto, mais depressa do que os gastos.
Uma das fontes dessa receita é o IVA, imposto incluído na maioria dos preços. O Ministério atribui o aumento da receita de IVA às subidas das taxas previstas na Lei 141/2025 (HotNews). Os dados mostram que o Estado recebeu mais, mas não permitem perceber quanto desse aumento foi pago pelos consumidores através de preços mais altos e quanto foi absorvido pelos retalhistas, com margens menores.
Outra parte da margem veio da despesa. Os gastos com salários da função pública desceram para 122,14 mil milhões de lei, menos 4,54 mil milhões do que um ano antes, uma redução que o Ministério relaciona com a contenção dos salários e dos prémios (Profit.ro). No conjunto, os funcionários públicos receberam menos, embora os números não permitam saber se isso se deveu a salários mais baixos por trabalhador ou a menos trabalhadores.
As verbas da União Europeia também reforçaram as receitas. Os reembolsos e donativos de Bruxelas aumentaram 39,3 por cento, para 48,79 mil milhões de lei; o Ministério atribui parte da subida à utilização mais rápida do plano de recuperação financiado pela UE (Economica.net). Como boa parte desse dinheiro financia projetos específicos, também traz despesa associada. O comunicado não indica quanto contribuiu, no saldo final, para reduzir o défice.
Setembro inverteu o sentido
Só em setembro, o défice foi de 19,10 mil milhões de lei, contra 16,11 mil milhões em setembro de 2025. O valor resulta da diferença entre os totais dos primeiros oito meses (59,42 mil milhões este ano e 86,36 mil milhões no ano passado) e os dos primeiros nove meses (AGERPRES, oito meses, AGERPRES, nove meses). Nos primeiros oito meses, o défice ficou bem abaixo do registado no mesmo período do ano anterior. Em setembro, ficou acima.
Os totais acumulados não explicam o resultado de setembro. Os juros da dívida são uma despesa a acompanhar: atingiram 50,63 mil milhões de lei nos primeiros nove meses, mais cerca de 26,8 por cento do que um ano antes (HotNews). Um défice menor abranda a contração de nova dívida, mas não reduz os juros devidos sobre a dívida já emitida. Os dados acumulados não permitem saber se os juros explicam o resultado de setembro. Um mês desfavorável justifica atenção, mas não prova que a tendência se tenha invertido.
Não é o indicador que Bruxelas avalia
Estes valores seguem a contabilidade de caixa, que regista o dinheiro quando é recebido ou pago. As regras da UE usam a contabilidade de compromissos, que regista a despesa quando nasce a obrigação de a pagar, e abrangem todo o setor das administrações públicas (Eurostat). Por esse critério, o défice romeno foi de 7,9 por cento do PIB em 2025. O país continua sujeito ao procedimento por défice excessivo, o mecanismo disciplinar da UE para países que excedem os limites de despesa, com prazo para corrigir o défice até 2030 (BCE).
Os credores acompanham o mesmo indicador. A 2 de outubro, a S&P manteve a classificação da Roménia em BBB−, o nível mais baixo da categoria de investimento, que muitos grandes fundos exigem para poderem deter obrigações de um país. A perspectiva negativa significa que é possível uma descida da classificação. A agência prevê um défice de 6,25 por cento do PIB em 2026, segundo a contabilidade de compromissos (S&P), numa decisão que o To Brief acompanhou na altura (To Brief).
Os dados mostram que a Roménia reduziu o défice de caixa em lei, apesar de a despesa total ter aumentado: as receitas fiscais mais elevadas e a redução dos gastos com salários permitiram que a receita crescesse mais depressa do que a despesa. O défice maior de setembro indica que a melhoria ainda não se mostrou constante, e o indicador acompanhado por Bruxelas e pela S&P continua a apontar para um défice elevado.
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