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EU_ECONOMICS04 / 05 · história do dia3 min · 793 palavras · 33 fontes

Mísseis russos travam siderurgia ucraniana

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Escrito por IAto brief AI · 21 de setembro de 2026, 02:50
Como foi escrita

Ukraine’s furnaces stand intact as the lines feeding them are severed.

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Entre agosto e setembro de 2026, mísseis balísticos russos atingiram três siderurgias que, em conjunto, tinham produzido recentemente cerca de 90% do aço ucraniano (Hromadske). As três unidades suspenderam a produção. As perdas imediatas são ucranianas: menos receitas, postos de trabalho ameaçados e mais um golpe numa economia de guerra que já depende do apoio externo. A evidência de uma escassez mais ampla na Europa é ainda limitada, mas alguns compradores estão já expostos.

O que os mísseis destruíram

As três instalações são a Zaporizhstal e a Kamet Steel, ambas detidas pela Metinvest, a maior produtora de aço da Ucrânia, e a ArcelorMittal Kryvyi Rih, que pertence ao segundo maior grupo siderúrgico mundial. Cada uma foi atingida repetidamente ao longo de cerca de cinco semanas. Morreram trabalhadores em todas as unidades. Só na Zaporizhstal, a Metinvest contabilizou 17 mísseis balísticos num mês, levando o seu diretor de operações a dizer que a cadeia de produção estava «efetivamente destruída» (Interfax-Ukraine). A ArcelorMittal afirmou que a produção primária tinha sido suspensa depois de a Rússia ter atingido por duas vezes as suas operações de produção de ferro (ArcelorMittal, UNN).

Uma siderurgia só funciona quando os fornos, a eletricidade, o fornecimento de oxigénio e as linhas ferroviárias internas operam em conjunto. Destruir uma dessas ligações pode interromper a produção sem atingir diretamente o forno. Foi o que aconteceu na ArcelorMittal: a empresa informou que algumas unidades continuaram a funcionar a níveis mínimos, enquanto a principal cadeia de produção ficou interrompida. Os mísseis não arrasaram as siderurgias. Desligaram-nas.

Quanto aço resta à Ucrânia

Antes da invasão em grande escala, a Ucrânia produzia cerca de 21,4 milhões de toneladas de aço bruto por ano (World Steel Association). Depois de a Rússia ter ocupado Mariupol e as enormes siderurgias Azovstal e Ilyich, a produção caiu para cerca de 7,4 milhões de toneladas em 2025, segundo a associação siderúrgica ucraniana Ukrmetprom (LIGA). As três unidades agora paralisadas representavam a maior parte da capacidade que restava depois dessa perda.

Os danos já aparecem nos números oficiais. A produção de aço bruto caiu em agosto para 277 000 toneladas, menos 57,3% do que no mesmo mês do ano anterior. A produção de ferro-gusa — o ferro em estado líquido que sai dos altos-fornos antes de ser transformado em aço — recuou 65,6%, o que é compatível com uma perturbação na fase dos fornos (LIGA). Cerca de 16 500 trabalhadores da Zaporizhstal e da Kamet Steel enfrentam redução de turnos ou suspensão temporária do trabalho (Interfax-Ukraine).

O aço é uma das principais categorias de exportação da Ucrânia e uma fonte de receitas em moeda estrangeira, isto é, dos dólares e euros necessários para pagar as importações. Com a maior parte da produção suspensa, essas receitas diminuem num momento em que a economia ucraniana depende fortemente do financiamento externo para continuar a funcionar.

Onde a Europa sente o impacto

A Ucrânia não é um grande fornecedor de aço à União Europeia no seu conjunto. Estimativas do sector apontam para exportações ucranianas para o bloco de cerca de 2,2 a 2,6 milhões de toneladas nos últimos anos (GMK Center, The Gaze), uma parcela reduzida do consumo total da UE. A perturbação, porém, não se distribui de forma uniforme.

A Roménia é o caso de exposição mais claro documentado até agora. A Zaporizhstal fornecia chapa laminada a quente — aço achatado em tiras largas, utilizado em tubos, veículos e construção — à fábrica de tubos da Metinvest em Iași, com volumes que deveriam chegar, segundo relatos, a 180 000 toneladas este ano (Economica.net). Essa linha de abastecimento está agora interrompida. Os dados disponíveis ainda não permitem determinar se outros compradores da UE enfrentarão falhas semelhantes ou se os preços do aço subirão em todo o bloco; tudo dependerá dos stocks existentes, dos fornecedores alternativos e do tipo de produto.

Reparações que podem não durar

A Kamet Steel terá reativado um dos seus altos-fornos (S&P Global). A reparação é tecnicamente possível: a Metinvest já tinha renovado altos-fornos em condições de guerra antes desta nova vaga de ataques. A repetição dos bombardeamentos, porém, altera os cálculos. Um transformador ou uma unidade de oxigénio substituídos esta semana podem ser atingidos na semana seguinte.

A Rússia não precisa de destruir todos os fornos. Pode manter a produção suspensa atingindo os sistemas que os ligam, obrigando a novos encerramentos e transformando cada reparação numa aposta contra o próximo míssil. Os ataques paralisaram siderurgias que, segundo as estimativas, produziam a maior parte do aço atualmente fabricado na Ucrânia, sem destruírem uma capacidade equivalente. As perdas imediatas são ucranianas. Só se tornarão europeias se a suspensão se prolongar e se cadeias de abastecimento específicas, começando pela Roménia, não encontrarem alternativas.

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