Skip to main content
TECH_SCIENCE05 / 08 · história do dia3 min · 706 palavras · 146 fontes

Satélites Tundra perturbam GPS europeu

Escrito por IAto brief AI · 6 de junho de 2026, 03:50
Como foi escrita

The delicate whisper of satellite navigation is crushed by a brute-force shout from orbit.

Composição da imagem · tobrief
o texto · 3 min de leitura

O sinal de GPS que orienta um telemóvel chega à Terra com uma fragilidade difícil de imaginar. Depois de percorrer 20 000 km desde a órbita, chega mais fraco do que o ruído térmico das estrelas e da luz solar. Só funciona porque o receptor sabe exactamente que padrão deve procurar e consegue separar esse murmúrio do fundo cósmico. Basta, porém, que alguém transmita numa frequência quase idêntica, com potência bastante superior, para o sinal desaparecer.

Foi isso que aconteceu na Europa, da Islândia a Itália, pelo menos 75 vezes desde 2019. A origem não estava no solo, mas numa constelação de satélites militares russos em órbitas que chegam aos 45 000 km de altitude.

Localizar um satélite pela sua sombra

Investigadores da Universidade do Texas, liderados pelo professor Todd Humphreys e pelo estudante Zachary Clements, passaram anos a seguir quebras abruptas na qualidade do sinal GPS registadas por estações de monitorização europeias. Em cada episódio, o sinal de navegação caía cerca de dez vezes, ao mesmo tempo, em receptores separados por milhares de quilómetros. Interferidores terrestres, limitados pela curvatura da Terra, não conseguem produzir esse padrão.

A fonte foi identificada nos satélites russos Tundra, integrados no sistema de alerta antecipado EKS/Kupol, concebido para detectar lançamentos de mísseis balísticos. Estes satélites seguem órbitas muito elípticas, permanecendo durante horas perto do ponto mais alto, com visibilidade sobre o Árctico e o Norte da Europa. A sua função principal é observar plumas de foguetões. Mas as transmissões de retorno para a Terra operam nos 1 577,5 MHz, apenas 2,5 MHz acima da frequência GPS L1, situada nos 1 575 MHz. Essa proximidade, combinada com um transmissor potente, faz com que energia escape para a banda GPS, como um amplificador que invade a estação de rádio ao lado.

A confirmação veio através de uma técnica chamada diferença de tempo de chegada. O princípio é semelhante a uma triangulação invertida: mede-se, ao microssegundo, a diferença entre o momento em que uma rajada de interferência chega a duas estações distantes, como Amesterdão e Trondheim, separadas por 1 500 km. Essa diferença restringe a origem a uma superfície em forma de concha no espaço. Com pares suficientes de estações, as conchas cruzam-se num ponto. Só havia um satélite nesse ponto: o Cosmos 2546, com uma margem de erro inferior a 200 metros. A tecnológica espanhola GMV corroborou independentemente os resultados com métodos comparáveis.

Uma frequência que poupa apenas o GLONASS

A interferência afecta os sinais GPS, dos Estados Unidos, Galileo, da União Europeia, e BeiDou, da China, mas deixa intacto o sistema russo GLONASS. A frequência de transmissão parece escolhida de forma a evitar perturbar a navegação russa, ao mesmo tempo que atinge os sistemas concorrentes. Os investigadores ainda não afirmam se isso resulta de desenho deliberado ou de uma coincidência técnica favorável a Moscovo. Uma apresentação da Força Aérea norte-americana reconheceu a interferência, mas não avaliou publicamente a intenção.

Cada episódio dura menos de dez segundos e coincide com a passagem de um satélite. A maioria dos aparelhos recupera usando a última posição conhecida. Nos aviões, o impacto operacional é mais sensível: embora a aviação comercial disponha de sistemas de reserva, como navegação inercial e radiofaróis terrestres, a perda de GPS aumenta a carga de trabalho dos pilotos e reduz a precisão de procedimentos modernos de aproximação que dependem de posicionamento por satélite.

A defesa europeia tem um ângulo morto

A principal resposta europeia, o sistema de autenticação OSNMA do Galileo, activo desde julho de 2025, permite aos receptores confirmar que uma mensagem de navegação vem de um satélite verdadeiro. É útil contra spoofing, ou falsificação de sinal, como a que é emitida a partir da rede crescente de 36 transmissores terrestres em Kaliningrado. Mas o OSNMA não resolve o bloqueio por interferência. Quando ruído suficientemente forte afoga o sinal, não há mensagem para autenticar.

O problema mais profundo está na detecção. Até agora, os aparelhos de segurança europeus trataram a interferência no GPS sobretudo como uma ameaça terrestre. A possibilidade de a origem estar no espaço ficou fora do enquadramento dominante. França é o único país europeu com capacidade própria de detecção orbital: o seu nanosatélite NESS, lançado em 2023, transporta instrumentos para caracterizar fontes de interferência a partir da órbita. A Alemanha prevê lançar os seus próprios satélites de monitorização no outono de 2026. Até lá, a Europa continuará dependente, em larga medida, de académicos norte-americanos e de dados de estações terrestres para identificar ameaças vindas de 45 000 km de altitude.

A solução estrutural, uma constelação europeia de navegação em órbita baixa chamada Céleste, que transmitiria sinais mais fortes e mais difíceis de bloquear, só deverá estar plenamente operacional em meados da década de 2030. Até lá, a Europa sabe que os seus sinais de navegação podem ser abafados a partir do espaço. Ainda não tem, porém, capacidade suficiente para observar directamente quem segura o transmissor.

How was this article?

Help us get better

Details about this article
Model:
claude-opus-4-6
Generated:
6/6/2026, 3:11:41 AM
Pipeline run:
eu_pipeline_20260606_015007
Watermark:
SynthID (Google's invisible watermark)
Human review:
None before publication
Learn more about our methodology