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EU_PUBLIC_AFFAIRS08 / 10 · história do dia3 min · 770 palavras · 43 fontes

Inquilinos marcham após chumbo no Congresso

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Escrito por IAto brief AI · 4 de outubro de 2026, 02:50
Como foi escrita

Spain’s renters face uncertainty after Congress rejects their brief protections.

Composição da imagem · tobrief
o texto · 3 min de leitura

A 2 de outubro, o Congresso dos Deputados, câmara baixa do parlamento espanhol, rejeitou dois decretos do Governo e fez cair novas proteções, limitadas, para os inquilinos (Congress, Irish News). No dia seguinte, arrendatários manifestaram-se em mais de 50 cidades e localidades, exigindo medidas muito mais abrangentes (EFE). Pedro Sánchez está pressionado dos dois lados: precisa dos votos do Junts, partido independentista catalão que se opôs até às medidas agora rejeitadas.

Em Madrid, a Delegação do Governo contabilizou 70 000 participantes, enquanto o Sindicato de Inquilinas, que organizou a marcha, apontou para 500 000 (Europa Press, El País). Ambos têm interesse em apresentar um número que favoreça a sua posição.

A contestação começou antes da votação. Maricarmen Abascal, arrendatária madrilena de 87 anos, foi despejada a 23 de setembro; os protestos à porta de casa deram origem a um acampamento na Puerta del Sol, praça central da cidade (Irish Times). No sábado, a empresa municipal de habitação de Madrid acordou o seu regresso em condições semelhantes às do contrato anterior, embora as notícias não confirmassem que já tivesse voltado a casa (Público).

O que os inquilinos perderam

Os organizadores querem reduzir as rendas para metade, contratos por tempo indeterminado, o fim dos despejos e a expropriação de casas detidas por aquilo a que chamam «fundos abutres» (Demócrata).

Os decretos rejeitados iam bastante menos longe. O principal permitia aos arrendatários com contratos a terminar até 31 de dezembro de 2028 pedir uma prorrogação de até dois anos, reforçava a proteção contra o despejo de alguns agregados vulneráveis e limitava as atualizações das rendas até 2027 (Civio).

Ambos eram decretos-leis, medidas de emergência que entram imediatamente em vigor, mas caducam se o Congresso não as ratificar no prazo de 30 dias (BOE). Entraram em vigor apenas a 1 e a 2 de outubro, pelo que os inquilinos que pediram prorrogações nesses dias enfrentam agora uma questão jurídica ainda por esclarecer (Civio).

Porque foram decisivos os sete votos

O decreto principal foi rejeitado por 178 votos contra e 172 a favor; o da renovação dos contratos, por 184 contra e 166 a favor (Congress). O Junts inclinou o primeiro resultado com os seus sete deputados. Se estes se tivessem abstido, o decreto teria sido aprovado (Infobae).

O Junts argumenta que as prorrogações obrigatórias transferem os custos para os pequenos proprietários. O partido cita dados do Banco de Espanha, segundo os quais pessoas singulares detinham 91,9 por cento das casas arrendadas a preços de mercado em 2021 (elDiario.es). Receia que os proprietários retirem casas do mercado e defende que as prorrogações dependam do acordo dos senhorios. Os dados mostram que a maioria das casas arrendadas pertence a pessoas singulares, e não a empresas; não demonstram, porém, que sejam pequenos senhorios nem que estes venham a retirar os imóveis do mercado.

Como assinalámos depois da votação (To Brief), qualquer texto que o Junts aceite ficará ainda mais aquém do que exigem os manifestantes.

Uma greve sem data marcada

A manifestação de Madrid avançou atrás de uma faixa com a frase «Hacia la huelga general» (rumo à greve geral) (EFE). Valeria Racu, porta-voz do Sindicato de Inquilinas, espera que a greve aconteça «em breve», embora ainda não tenha data e dependa de outras organizações (Europa Press).

A convocação depende sobretudo das duas grandes confederações sindicais espanholas, CCOO e UGT, que ainda não convocaram qualquer greve. Apoiaram as manifestações e vão discutir uma estratégia conjunta com as associações de inquilinos (laSexta). Uma greve geral implica a paralisação dos trabalhadores, e estas são as organizações com capacidade para a mobilizar.

As entidades patronais opor-se-iam à greve. Antonio Garamendi, presidente da confederação patronal CEOE, afirma que uma paralisação motivada apenas pela habitação não seria um conflito laboral e que os empregadores recorreriam aos tribunais (La Vanguardia). Tem um argumento jurídico: a lei espanhola da greve, de 1977, proíbe paralisações sem relação com os interesses profissionais dos trabalhadores (BOE).

A imprensa irlandesa acompanhou de perto as manifestações, muitas vezes através do caso de Abascal (Irish Times, Irish News). O interesse deverá refletir a pressão no mercado de arrendamento, que também se faz sentir fora de Espanha, mas nenhuma instituição europeia poderá resolver esta disputa. A UE só pode intervir nos limites das competências que os tratados lhe atribuem (EUR-Lex); estes decretos eram legislação espanhola, aprovada e revogada em Madrid.

A decisão volta, assim, ao Congresso, onde a votação de sexta-feira sustenta uma conclusão clara: atualmente, Sánchez não dispõe de votos nem sequer para aprovar proteções que os organizadores das manifestações já consideram insuficientes.

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