Degelo suíço alimenta rios, mas glaciares perdem 5,5%

Swiss rivers draw summer water from a shrinking store of ice.
Composição da imagem · tobriefQuando um verão é quente e seco, os rios que nascem nos Alpes dependem da água libertada pelo degelo dos glaciares: neve caída ao longo de muitos invernos e armazenada sob a forma de gelo. Este ano, a Suíça recorreu intensamente a essa reserva. No ano glaciológico de 2025/26, os glaciares perderam cerca de 5,5 por cento do seu volume, o equivalente a 2,5 quilómetros cúbicos de gelo (NZZ), e quase um quinto em cinco anos (GLAMOS/SLF).
Os números são da GLAMOS, a Rede Suíça de Monitorização dos Glaciares, que trabalha com a ETH Zurich e as Universidades de Friburgo e Zurique. A rede divulgou-os através da Academia Suíça de Ciências a 1 de outubro (ETH Zurich). Não se pesa cada glaciar: os investigadores mediram de perto 23 glaciares de referência e projetaram os resultados para os cerca de 1 300 que restam na Suíça (AFP), à semelhança de uma sondagem que estima a opinião de todo um país com base numa amostra selecionada com rigor.
Pouca neve no inverno, depois o calor
Pode pensar-se num glaciar como numa conta-poupança: a neve do inverno é o depósito. Se uma parte suficiente resistir ao verão, vai-se compactando lentamente até formar gelo novo.
O inverno de 2025/26 ficou entre os dez menos nevados desde o início das observações (GLAMOS/SLF). Assim, os glaciares chegaram ao verão com pouca neve acumulada. A cobertura de neve também protege o glaciar, em termos gerais, pois a superfície clara reflete a luz solar, que o gelo mais escuro absorveria.
A neve desapareceu cedo. Segundo a ETH Zurich, em junho a cobertura já era irregular e, em setembro, tinha desaparecido até a cerca de 3 500 metros de altitude. O nível de congelação, isto é, a altitude em que o ar atinge zero graus, manteve-se acima dos 4 000 metros durante 76 dias, segundo o mesmo comunicado institucional, difundido pela EurekAlert. Em termos simples, durante grande parte do verão o ar invulgarmente quente chegou a altitudes elevadas.
Este padrão em duas etapas é coerente com os registos suíços de vários anos. Um estudo científico revisto por pares, baseado em dados diários de 2010 a 2024, concluiu que invernos com mais neve trazem regularmente maiores ganhos de neve nos glaciares, enquanto verões mais quentes provocam maiores perdas de gelo (The Cryosphere). O estudo descreve uma tendência de longo prazo; ainda não foi possível separar quanto da perda deste ano se deveu à escassa neve de inverno e quanto ao calor.
Quem beneficia do degelo e em que medida
Entre julho e setembro, os glaciares libertaram cerca de 2 200 mil milhões de litros de água de degelo (GLAMOS/SLF). O contributo depende do ponto do rio em que se mede o caudal.
Os investigadores analisaram a resposta de 88 bacias hidrográficas alimentadas por glaciares à seca de 2022 e concluíram que o degelo adicional compensou até 70 por cento da falta de água no Ródano, em Porte du Scex, mas não mais de cinco por cento no Reno, em Basileia (Hydrology and Earth System Sciences). Uma bacia hidrográfica reúne toda a área de terreno cuja água escoa para determinado ponto de um rio, como num funil. Perto das montanhas, o glaciar representa uma parte importante da água que o funil recolhe; em Basileia, já se juntaram muitos outros afluentes e a proporção atribuível ao glaciar diminui.
A mesma investigação concluiu que a maior parte da água de degelo libertada nesse ano de seca veio de gelo que desapareceu de forma irreversível. Na metáfora da poupança, os rios receberam dinheiro retirado do capital, e não dos juros.
O estudo comparou também os dois verões de calor extremo. Em dois terços das bacias, chegou aos rios menos água de degelo em 2022 do que em 2003, apesar de cada metro quadrado de glaciar ter derretido mais depressa (Hydrology and Earth System Sciences). A interpretação mais simples é que restavam menos metros quadrados de gelo para derreter, embora as diferenças meteorológicas entre os dois verões também influenciem a comparação.
As medições deste ano mostram que a reserva voltou a diminuir. A quantidade de água que um rio recebe do degelo num verão seco depende da proximidade do gelo; depois de um ano como 2026, essa reserva é ainda menor.
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- 10/2/2026, 2:12:43 AM
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