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EU_ECONOMICS02 / 18 · história do dia3 min · 854 palavras · 32 fontes

Dez países querem mais licenças de carbono

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Escrito por IAto brief AI · 17 de julho de 2026, 11:04
Como foi escrita

The market is flooded with the very permissions that make green investment obsolete.

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o texto · 3 min de leitura

Dez países da União Europeia querem aliviar o mercado europeu de carbono com mais licenças de poluição. Suécia, Finlândia e Dinamarca respondem que isso penalizaria as empresas que já investiram na transição verde. Ambos os lados invocam as metas climáticas. A clivagem real é orçamental: que governos conseguem proteger a sua indústria com dinheiro nacional, e que governos precisam de Bruxelas para o fazer por eles.

A coligação e a resposta nórdica

Polónia, Itália, Grécia, Chéquia, Roménia, Bulgária, Eslováquia, Chipre, Estónia e Hungria estão a pressionar a Comissão Europeia para abrandar o CELE, o Comércio Europeu de Licenças de Emissão, que é o principal instrumento europeu para encarecer a poluição. Querem que sejam retiradas menos licenças do mercado todos os anos, que as licenças gratuitas para a indústria pesada durem mais tempo e que o Fundo de Modernização, financiado com receitas do próprio CELE e dirigido aos Estados-Membros de menor rendimento, continue depois de 2030 (S&P Global). O vice-ministro polaco do Clima, Krzysztof Bolesta, defendeu que a redução anual do teto de emissões deve cair para pouco acima de 2% (Bankier.pl). O ministro italiano da Indústria, Adolfo Urso, apresentou a iniciativa como uma forma de proteger a competitividade industrial (Adnkronos).

Os países nórdicos respondem que a previsibilidade do preço do carbono é precisamente o que torna viável investir em tecnologias limpas. Se a escassez de licenças deixa de ser credível, as empresas que já gastaram capital em aço de baixo carbono ou energia limpa acabam por ser penalizadas por terem avançado primeiro (EnviWeb/ČTK). O CELE foi desenhado para que os pioneiros beneficiem à medida que o teto de emissões se torna mais apertado. Se o teto for aliviado, esse prémio desaparece.

O mecanismo é simples. A União Europeia fixa um limite para as emissões de CO₂ de centrais elétricas, fábricas e companhias aéreas. Cada empresa tem de deter uma licença por cada tonelada que emite. Como o teto diminui todos os anos, as licenças tornam-se mais escassas e poluir fica mais caro (Comissão Europeia). Em 2024, os leilões de licenças renderam 38,8 mil milhões de euros para orçamentos climáticos nacionais (CER).

O pacote de reforma da Comissão Europeia, esperado esta semana, deverá acrescentar licenças ao mercado e abrandar o fim gradual das licenças gratuitas. Analistas citados pela OPIS esperam que a taxa anual de redução do teto desça de 4,4% para cerca de 3% a 3,4% depois de 2030, libertando aproximadamente 1 a 1,5 mil milhões de licenças adicionais e pressionando em baixa o preço do carbono (OPIS).

A falha orçamental por baixo

A leitura mais simples, que opõe países nórdicos verdes a economias de Leste resistentes à transição, não chega para explicar as posições. A própria associação empresarial alemã DIHK quer prolongar a atribuição gratuita de licenças e manter a compensação pelos custos da eletricidade até que o mecanismo de ajustamento carbónico fronteiriço, o CBAM, prove que consegue impedir a deslocalização de fábricas. O CBAM é a taxa europeia aplicada a importações intensivas em carbono, pensada para evitar que a indústria europeia pague pelo carbono enquanto concorrentes externos escapam a esse custo (DIHK).

A diferença é que Berlim pode pagar. A Alemanha abriu 5 mil milhões de euros em contratos climáticos por diferença, acordos de longo prazo que cobrem o custo adicional da produção de baixo carbono em sectores como o aço, a química, o cimento e a cerâmica (VEA). Os Países Baixos estão a alargar o seu próprio regime de compensação, com mais de 318 milhões de euros disponíveis este ano para sectores que vão do alumínio aos fertilizantes (Rijksoverheid, VEMW).

Polónia, Roménia e Bulgária não conseguem passar cheques dessa escala. Precisam que o desenho do próprio CELE entregue o alívio que Berlim e Haia conseguem financiar através dos seus orçamentos nacionais. A disputa é, por isso, sobre que nível de governo suporta o custo da transição.

Quem ganha, quem perde

Uma escassez menos apertada ajuda, no curto prazo, os grandes emissores já instalados e as economias ainda dependentes do carvão. Mas o alívio industrial não se distribui de forma uniforme. Na Chéquia, grandes operadores abrangidos pelo CELE recebem licenças gratuitas e, ainda assim, repercutem os custos do carbono nos clientes, enquanto empresas de aquecimento urbano e firmas mais pequenas compram licenças sem proteção equivalente (Aktuálně.cz/ČTK). A atribuição gratuita protege os grandes grupos. Não chega necessariamente à cadeia de fornecimento.

Os governos também perdem. Menos licenças leiloadas, ou preços mais baixos, significam menos dinheiro para investimento climático. A Club Economic concluiu que apenas 8% das receitas do CELE gastas pelos Estados-Membros podiam ser identificadas como apoio direto à descarbonização industrial (Club Economic). O problema pode não ser o preço do carbono estar demasiado alto. Pode ser os governos estarem a dispersar demasiado as receitas que ele gera.

A Comissão Europeia pode comprar mais tempo para a indústria pesada, mas só enfraquecendo a escassez que deu valor ao mercado de carbono. Saber se os governos usarão esse tempo para financiar produção mais limpa, ou apenas para tornar mais barata a espera, é uma pergunta a que a reforma não responde.

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