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EU_PUBLIC_AFFAIRS01 / 08 · história do dia3 min · 934 palavras · 140 fontes

Hungria tenta desbloquear 16,4 mil milhões

Escrito por IAto brief AI · 10 de junho de 2026, 03:50
Como foi escrita

Hungary files its massive anti-corruption package, a thousand pages of reform that say nothing.

Composição da imagem · tobrief
o texto · 3 min de leitura

"title": "Hungria apresenta reformas para libertar 16,4 mil milhões de euros da UE", "dek": "O Governo do primeiro-ministro Péter Magyar entregou ao Parlamento um pacote anticorrupção de 110 páginas, passo central para desbloquear fundos de recuperação congelados antes do prazo de 31 de agosto. A proposta reforça a Autoridade de Integridade, mas deixa de fora reformas judiciais e garantias para a liberdade dos media pedidas por Bruxelas. A decisão testa a disposição da Comissão Europeia para libertar milhares de milhões de euros num momento em que o próprio presidente do organismo anticorrupção enfrenta acusações de peculato.", "story_glance_bullets": [ "A Hungria apresentou uma proposta de 110 páginas para cumprir 27 marcos exigidos pela UE e desbloquear fundos de recuperação congelados", "O Governo tem de aprovar todas as reformas até 31 de agosto ou perderá acesso a 16,4 mil milhões de euros", "O pacote dá à Autoridade de Integridade poderes sobre contratação pública, mas omite garantias de independência judicial e liberdade dos media", "O Ministério Público acusou o presidente da Autoridade de Integridade de peculato no mesmo dia em que a proposta chegou ao Parlamento", "A canalização de 3,5 mil milhões de euros através do banco público de desenvolvimento húngaro pode reduzir a fiscalização direta da Comissão Europeia" ] } }

A Hungria entrou na fase decisiva para tentar recuperar 16,4 mil milhões de euros do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, o fundo europeu criado depois da pandemia para financiar investimento e reformas nacionais. O novo Governo entregou ao Parlamento, em 9 de junho, um pacote anticorrupção de 110 páginas, a primeira concretização do acordo condicional fechado em 29 de maio entre o primeiro-ministro Péter Magyar e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O acordo exige o cumprimento de 27 marcos de reforma antes de 31 de agosto, data a partir da qual o dinheiro não utilizado do MRR deixa de estar disponível. A questão, em Bruxelas, é saber se a Comissão voltará a libertar verbas assim que as leis forem aprovadas, antes de haver prova de que produziram mudanças reais.

O que a proposta cobre, e o que deixa de fora

O pacote concentra-se na Autoridade de Integridade, o organismo anticorrupção criado por exigência da UE. A proposta dá-lhe poderes para contestar a inação de procuradores em processos de corrupção e para suspender contratos públicos suspeitos (DW). Começa também a desfazer o sistema de fundações públicas da era Orbán, através do qual universidades e ativos do Estado foram transferidos para conselhos dominados por nomeações políticas.

Ficam fora das 110 páginas reformas sobre independência judicial, autonomia do Ministério Público e proteção da liberdade dos media, todas presentes nas exigências originais de condicionalidade da UE. No próprio dia em que o pacote foi entregue, o Ministério Público acusou o presidente da Autoridade de Integridade, Biró Ferenc, de peculato com danos avaliados em cerca de 350 mil euros. O calendário fragiliza precisamente a instituição que a nova legislação pretende reforçar.

A Comissão paga antes de verificar

Em 2024, a Comissão libertou milhares de milhões de euros congelados da Polónia depois da eleição de Donald Tusk, antes de as reformas judiciais terem sido aprovadas. Mais tarde, o Presidente Nawrocki vetou essas reformas. Em dezembro de 2023, Bruxelas desbloqueou 10,2 mil milhões de euros para a Hungria de Orbán dias antes de uma votação sobre a adesão da Ucrânia, que Budapeste ameaçava bloquear.

A advogada-geral Ćapeta, principal conselheira jurídica do Tribunal de Justiça da União Europeia, concluiu mais tarde que a Comissão não deveria ter libertado esses fundos em 2023, por as condições ligadas ao Estado de direito não estarem verdadeiramente cumpridas. O seu parecer no processo C-225/24, apresentado pelo Parlamento Europeu para anular a decisão, propõe um critério vinculativo: antes de pagar, a Comissão deve demonstrar que as reformas estão efetivamente aplicadas. O Tribunal ainda não decidiu. Se seguir este raciocínio, cada futura libertação de fundos condicionados ficará sujeita a um teste judicial sobre o seu impacto real. A decisão é esperada no final de 2026.

A Alemanha mostra a divisão dentro do Conselho, onde os governos dos Estados-Membros negoceiam as decisões europeias. O chanceler Friedrich Merz elogiou publicamente o “novo começo” de Magyar. Mas Berlim integra também um grupo de seis países, juntamente com Suécia, Áustria, Finlândia, Países Baixos e Estónia, que tem defendido uma aplicação rigorosa da condicionalidade. A Alemanha está presa entre a aliança dos falcões orçamentais e o alívio político provocado pela saída de Orbán. Comentadores jurídicos alemães já avisaram que a Comissão se arrisca a repetir o padrão polaco.

Onde a fiscalização se perde

Cerca de 3,5 mil milhões de euros do MRR deverão entrar como capital em bloco no banco público de desenvolvimento húngaro, o MFB, que depois concederá empréstimos a empresas e projetos de habitação. Funcionários da Comissão avisaram em maio que esta via “reduziria significativamente a fiscalização da Comissão sobre a despesa”. Depois de o dinheiro entrar no MFB, Bruxelas perde a verificação projeto a projeto e passa a depender das estruturas de auditoria húngaras construídas durante a era Orbán.

Para cumprir todos os marcos dentro do prazo, o Tisza, partido de Magyar, propôs aumentar de seis para quinze, por semestre, o limite de processos parlamentares acelerados. O Tisza detém cerca de 71% dos lugares no Parlamento e não precisa do apoio da oposição. São os mesmos instrumentos de emergência que Orbán usou para aprovar alterações constitucionais.

A Comissão ainda não publicou quais os marcos que considera cumpridos. Segundo a FAZ, ninguém em Bruxelas conseguiu indicar o número exato. Outros 530 milhões de euros continuam congelados por disputas sobre direitos LGBTQ+ e asilo, fora do acordo de 29 de maio. A Eslováquia, que está neste momento a desmantelar os seus próprios organismos anticorrupção enquanto a Hungria cria novos, será o teste mais claro ao sistema: perceber se a UE consegue distinguir entre países que seguem direções opostas, ou se a condicionalidade continua a ser sobretudo um gesto político vestido de linguagem jurídica.

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6/10/2026, 2:45:02 AM
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