Incêndios pressionam frota aérea da UE

The markers for water are placed in the dust as the pool runs dry.
Composição da imagem · tobriefArdeu mato na Sicília, houve ordens de evacuação perto de Madrid e os incêndios na Gironda obrigaram milhares de pessoas a sair de casa. Esta semana, dois dos maiores países da Europa pediram ajuda a Bruxelas porque os seus próprios meios de combate já não chegavam. França e Espanha activaram o Mecanismo de Protecção Civil da União Europeia, o canal através do qual um Governo pede a outros países europeus aviões, equipas ou equipamento. A resposta foi rápida e concreta. A dificuldade começa quando os países que emprestam meios também estão a arder.
Aviões cruzaram fronteiras. Depois surgiu o limite.
Emmanuel Macron disse que França estava a pedir ajuda europeia enquanto a situação na Gironda permanecia «extremamente tensa» (France 24). Espanha foi mais longe e declarou emergência nacional devido aos incêndios perto de Madrid e Ávila. A sua Unidade Militar de Emergência pediu a Bruxelas pelo menos quatro aviões anfíbios de combate a incêndios (Europa Press, Sur in English).
O sistema funcionou. Portugal enviou para França dois aviões Fire Boss e uma equipa de sete pessoas através do rescEU, a reserva estratégica financiada pela UE e criada em 2019 para emergências que envolvem vários países (Observador). Helicópteros Black Hawk checos deslocaram-se também para França e fizeram 407 descargas de água, num total superior a 1,25 milhões de litros (POŽÁRY.cz). Segundo o El País, Bruxelas mobilizou quatro aviões para Espanha e três aviões e dois helicópteros para França.
A Grécia mostrou, porém, a tensão que está no centro deste modelo. Na mesma semana em que Atenas enviou dois Canadair CL-415 para Espanha (Kathimerini), as autoridades gregas de protecção civil avisavam para um risco extremo de incêndio de categoria 5 no próprio país (Protecção Civil grega). A Grécia pôde emprestar aviões porque 245 bombeiros europeus já estavam posicionados no seu território como reforço (Kathimerini). O círculo fecha-se enquanto uns enviam meios aéreos e outros cobrem o terreno. Deixa de fechar-se no dia em que todos os países de maior risco precisarem dos seus aviões em casa.
Uma frota dimensionada para outro clima
Este não foi o primeiro pedido de ajuda em Julho. Portugal activou o mecanismo em 3 de Julho e França em 5 de Julho (Comissão Europeia). A Comissão Europeia já tinha enviado para França meios aéreos rescEU da Suécia e de Chipre, e bombeiros espanhóis para Portugal. Os pedidos repetem-se porque os incêndios estão a aumentar: o Centro Comum de Investigação da UE registava 899 incêndios no final de Julho de 2026, mais do dobro da média de longo prazo para esta altura do ano (JRC).
Perante essa procura, a frota aérea comum da Europa resume-se a 22 aviões de combate a incêndios e cinco helicópteros, apoiados por 777 bombeiros pré-posicionados de 14 países, a maior mobilização sazonal já organizada pela UE (Comissão Europeia, EU in Emergencies). Não é uma reserva ilimitada. Portugal, França, Espanha, Grécia, Itália e Croácia enfrentam o pico de risco nas mesmas semanas. Todas as manhãs durante a época de incêndios, Bruxelas pergunta a cada país participante que aviões ainda pode dispensar (Le Progrès). O mecanismo só funciona enquanto houver alguém em condições de responder que sim.
A Comissão financiou 12 novos aviões de combate a incêndios, que deverão ficar baseados em seis países, mas os primeiros não são esperados antes da época de incêndios de 2028 (rescEU). Há ainda dois Verões entre a frota actual e esses reforços. A lacuna não é abstracta: segundo o Le Soir, um avião inscrito como «disponível» depende inteiramente de o país onde está baseado não precisar dele nesse dia.
A solidariedade europeia contra os incêndios funcionou esta semana. Pilotos, aviões anfíbios e equipas no terreno atravessaram fronteiras sob pressão real. Mas o mecanismo redistribui uma frota fixa. Não a aumenta. A Comissão Europeia e as seis capitais que acolhem meios rescEU de combate a incêndios devem uma resposta pública à pergunta que os próprios dados tornam cada vez mais difícil de adiar: em que momento deixa o sistema de distribuir ajuda e começa a escolher quem a recebe?
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