Bombas russas matam 20 em Zaporizhzhia

Zaporizhzhia’s rescuers are still searching; the final toll remains unknown.
Composição da imagem · tobriefBombas planadoras russas fizeram pelo menos 20 mortos e 32 feridos em Zaporizhzhia no sábado, segundo o balanço divulgado às 21h25 pelo responsável regional Ivan Fedorov (Ukrinform). Três das pessoas mortas eram crianças, informou o serviço de emergência (Ukrainska Pravda). Os meios de comunicação europeus acompanharam a subida do número de vítimas, mas nenhum governo anunciou uma decisão ligada a este ataque.
Caíram cinco bombas sobre a cidade, duas das quais atingiram prédios de habitação, segundo informações policiais citadas pela Euronews (Euronews). A Polícia Nacional da Ucrânia disse que os seus agentes estavam a intervir em vários locais atingidos nessa manhã (National Police). As bombas atingiram a cidade, que está sob controlo ucraniano e fica longe da central nuclear de Enerhodar, controlada pela Rússia (To Brief).
O número de mortos aumentou ao longo do dia, enquanto prosseguiam as operações de busca: eram oito no balanço da administração regional às 10h15 (regional administration) e 17 a meio da tarde (Ukrainska Pravda). O número divulgado por Fedorov ao início da noite é o mais recente, mas ainda não é definitivo.
Uma consulta feita durante a noite aos canais oficiais não encontrou indicação de que as buscas tivessem terminado. Não foi confirmado quantas pessoas continuam desaparecidas.
Porque é difícil travar estas bombas
Uma bomba planadora é uma bomba aérea convencional equipada com asas e um sistema de navegação. As asas permitem que um avião a jato a largue longe do alvo; depois, a bomba percorre o resto do trajecto a planar. O instituto de defesa RUSI estima que estas bombas são normalmente lançadas a cerca de 30 a 90 quilómetros da linha da frente (RUSI). Assim, o avião não precisa de sobrevoar a cidade que vai atingir.
Essa distância dificulta a defesa. Em geral, os sistemas antiaéreos de curto alcance não conseguem atingir um caça russo que lança as bombas tão longe. Os sistemas de maior alcance podem por vezes abater a aeronave, mas só se estiverem suficientemente perto e houver mísseis interceptores disponíveis; segundo o centro da NATO especializado em poder aéreo, estes são escassos e caros (JAPCC).
Ainda não são conhecidos os pormenores do ataque de sábado. Não foram divulgados o tipo de bomba, o local de onde partiram os aviões nem a razão por que estas bombas conseguiram atingir a cidade.
Cobertura mediática, não decisões
Até agora, a atenção europeia ao ataque vê-se sobretudo na cobertura dos meios de comunicação. A estação pública neerlandesa NOS manteve uma página dedicada ao ataque e atualizou o título quando o balanço chegou a 17 mortos (NOS). A Euronews, que emite em vários países do continente, divulgou o relato da polícia ucraniana sobre os ataques aos prédios de habitação.
Dois acontecimentos do mesmo dia podem parecer respostas ao ataque, mas nenhum estava relacionado com Zaporizhzhia. Emmanuel Macron telefonou a Volodymyr Zelensky para manifestar solidariedade perante os ataques russos em curso, sem anunciar um novo compromisso francês (RFI). Mais tarde nesse dia, a Polónia colocou caças no ar, numa medida que o comando militar associou aos ataques russos no oeste da Ucrânia (Polsat News).
A posição da própria UE também era anterior ao ataque. O Serviço Europeu para a Ação Externa condenara pela última vez os ataques russos a habitações de civis numa declaração de 8 de outubro, dois dias antes de caírem as bombas (EEAS).
O registo consultado mostra que os meios europeus acompanharam de perto as mortes de sábado, mas que nenhum governo anunciou uma decisão especificamente ligada a este ataque. Esta conclusão limita-se ao que foi dito até agora e não permite antecipar decisões futuras. A informação que falta terá de vir de Zaporizhzhia: as autoridades regionais ainda não deram as buscas por terminadas nem divulgaram o balanço final.
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