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EU_PUBLIC_AFFAIRS02 / 05 · história do dia3 min · 850 palavras · 61 fontes

Zaporizhzhia tem gasóleo para 10 dias

Escrito por IAto brief AI · 30 de agosto de 2026, 02:50
Como foi escrita

Europe’s largest nuclear plant hangs on ten days of diesel.

Composição da imagem · tobrief
o texto · 3 min de leitura

A maior central nuclear da Europa perdeu a última ligação à rede elétrica em 20 de agosto, depois de combates a norte do rio Dnipro terem cortado a única linha ainda operacional. Dez dias depois, os geradores de emergência a gasóleo são o que mantém a funcionar os sistemas de arrefecimento dos seis reatores desligados e das piscinas de combustível usado (LIGA, NV).

Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, estimou a margem em cerca de 10 dias. Sem reparação da ligação à rede ou novas entregas de gasóleo, avisou, a central poderá ficar sem qualquer fonte de energia (Straits Times, RBC-Ukraine).

Uma crise construída linha a linha

A fragilidade não nasceu esta semana. Antes da invasão russa em grande escala, Zaporizhzhia dispunha de 10 linhas externas de alimentação elétrica. Foram caindo uma a uma até que a última, uma linha de 330 kV chamada Ferosplavna-1, falhou em 20 de agosto (Ukrainian News, Rubryka). A atividade militar impediu os técnicos sequer de diagnosticarem a causa. A AIEA está agora a negociar um cessar-fogo localizado para que as equipas de reparação consigam chegar ao local (World Nuclear News).

Os reatores não produzem eletricidade há mais de dois anos. Mas uma central «desligada» não é uma central inerte. O decaimento radioativo nos elementos de combustível e nas piscinas de armazenamento continua a gerar calor, e as bombas, válvulas e instrumentos que o removem dependem de eletricidade (Nuclear News Network, News UN). Se a alimentação da rede e os geradores falharem ao mesmo tempo, o arrefecimento pára e as temperaturas sobem. O risco é menor do que seria com a central em plena operação, mas não desaparece.

No início de agosto, os operadores aumentaram o nível de água nas piscinas de combustível usado das seis unidades, ganhando tempo adicional antes de uma eventual ebulição caso o arrefecimento ativo se perca (Nuclear News Network). Inspetores da AIEA verificaram a maioria dos 20 geradores a gasóleo da central e observaram a chegada de camiões-cisterna provenientes de dois locais próximos em 27 e 28 de agosto (NV, 5 Kanal). Ainda assim, os inspetores não visitam o principal depósito externo de combustível desde março de 2025, e os combates terão atrasado há meses a última entrega prevista para essa instalação (UNN, Rubryka). O número dos 10 dias de gasóleo vem do pessoal da central, não de uma auditoria independente da AIEA aos inventários.

Três ataques com drones ao longo da semana acrescentaram uma segunda camada de risco: um junto ao tanque de arrefecimento feriu dois trabalhadores, outro atingiu a zona de armazenamento seco de combustível usado, e um terceiro acertou num sistema de aspersão (disse a AIEA no X, Agerpres). Os níveis de radiação mantiveram-se normais. A agência não atribuiu responsabilidades.

A pergunta sobre a Rosatom que a Europa continua a evitar

Os governos europeus lêem o aviso a partir das suas próprias políticas nucleares.

França, o país europeu mais dependente da energia nuclear, traça uma distinção prudente. O consultor Stéphane Audrand disse ao Le Parisien que uma central em paragem fria não se torna «uma nova Chernobyl» apenas por perder a ligação à rede elétrica (Le Parisien). O alerta francês é mais simples: a guerra torna perigosa também a infraestrutura que rodeia a central. Subestações, estradas, entregas de combustível e equipas esgotadas passam todos a ser fatores de segurança (Euronews). A Greenpeace França usa a crise para exigir sanções à Rosatom, lembrando que o comércio nuclear continua excluído dos pacotes europeus de sanções contra a Rússia (France 24).

A Hungria é o silêncio mais visível. Órgãos próximos do Governo reproduziram os dados da AIEA sem os ligar a Paks II, o projeto de reatores financiado pela Rosatom em Budapeste (Világgazdaság). A razão é prática: Paks assegura uma parte importante da eletricidade húngara, e Paks II está a ser construído e financiado pela mesma empresa nuclear estatal russa (World Nuclear Association). Budapeste tem todo o incentivo para tratar Zaporizhzhia como um problema de guerra, não como argumento para sancionar a Rosatom. Enquanto o regime europeu de sanções continuar a isentar o sector nuclear (Conselho da UE), a Hungria nem sequer precisa de gastar o seu veto.

A Polónia enquadra o episódio como coerção russa, ao mesmo tempo que protege a confiança pública na sua primeira central nuclear. A posição do regulador nuclear polaco é que a perda de alimentação externa é um cenário previsto no desenho de uma central, que os geradores a gasóleo devem conseguir gerir; Zaporizhzhia é especialmente perigosa por causa da guerra e da ocupação, não por causa da tecnologia nuclear em si (BiznesAlert).

A pergunta imediata é mecânica: saber se a tentativa de Grossi de obter um cessar-fogo permitirá o acesso das equipas de reparação antes de o gasóleo acabar. A pergunta maior é política. Zaporizhzhia é a consequência mais visível do controlo russo sobre infraestrutura nuclear europeia, mas a UE continua a poder tratá-la como uma emergência de segurança sem incorporar o poder de pressão nuclear da Rússia no regime de sanções. É essa decisão que os ministros dos Negócios Estrangeiros continuam a adiar.

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8/30/2026, 1:52:03 AM
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