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TECH_SCIENCE08 / 10 · história do dia3 min · 762 palavras · 15 fontes

Rim suíno produz urina após um ano congelado

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Escrito por IAto brief AI · 16 de outubro de 2026, 02:50
Como foi escrita

A year in storage ends with urine, but the longer test remains.

Composição da imagem · tobrief
o texto · 3 min de leitura

Um rim de porco mantido a −150 °C durante pouco mais de um ano começou a produzir urina depois de os investigadores o aquecerem e ligarem a uma máquina de perfusão (MIT Technology Review). Hoje, os rins doados têm, em geral, de ser transplantados em poucas horas. Uma forma de os conservar durante mais tempo daria às equipas de transplante uma margem de que nunca dispuseram. O trabalho ainda está numa fase inicial: não foi revisto por pares e os rins transplantados em porcos só foram observados durante um curto período.

A equipa da University of Minnesota publicou o estudo no bioRxiv, um servidor onde se partilham artigos antes da revisão por pares. Os rins tinham aproximadamente o tamanho de um rim humano e eram cerca de 100 vezes maiores do que os rins de rato que o grupo já tinha reaquecido (pré-publicação no bioRxiv). É esta diferença de escala que torna o resultado relevante: é nos órgãos grandes que a conservação a frio tem enfrentado maiores dificuldades.

Transformar um rim em vidro

Um rim é composto sobretudo por água, distribuída por uma rede densa de vasos e células. Se for congelado pelos métodos habituais, formam-se cristais de gelo que rasgam essa estrutura delicada. Em vez disso, a equipa faz passar pelos vasos crioprotetores, substâncias que funcionam como um anticongelante biológico. À medida que o órgão arrefece, o seu conteúdo transforma-se num sólido semelhante a vidro, sem cristais.

O regresso do frio é a parte mais difícil. Tal como acontece ao descongelar um peru, a superfície aquece antes do centro. Num órgão vitrificado, esse aquecimento desigual pode fissurar o tecido frágil. A solução da equipa, chamada nanowarming, consiste em fazer circular pelos vasos do rim partículas minúsculas que libertam calor dentro do órgão, evitando que este tenha de chegar lentamente a partir da superfície.

Num estudo revisto por pares, publicado em 2023, o grupo já tinha mostrado que a técnica permitia recuperar rins de rato após a conservação e transplantá-los com sucesso (Nature Communications). Faltava saber se o método também funcionaria num órgão do tamanho de um rim humano.

O que duas horas permitem — e não permitem — concluir

O rim conservado durante um ano foi testado apenas na máquina, que faz circular um fluido aquecido pelo órgão, substituindo o corpo. Noutros ensaios, rins reaquecidos após períodos de conservação mais curtos foram transplantados para porcos. O sangue voltou a circular, os órgãos recuperaram a cor e a urina apareceu cerca de um minuto depois, embora em quantidade equivalente a cerca de dois terços do esperado (MIT Technology Review). Os animais foram observados durante apenas duas horas (pré-publicação no bioRxiv).

Esse intervalo curto é importante: a produção inicial de urina é um primeiro sinal de atividade, mas não prova que o transplante esteja a funcionar. A tarefa de um rim é filtrar continuamente os resíduos do sangue, e um órgão pode começar bem e falhar nos dias seguintes. Greg Fahy, especialista em criobiologia que não participou no estudo, saudou o restabelecimento da circulação sanguínea, mas disse à MIT Technology Review que estes ensaios não permitem saber se os rins teriam mantido um animal vivo. Para responder a essa pergunta, seria necessário transplantar em porcos os rins conservados durante mais tempo, retirar aos animais os seus próprios rins e acompanhá-los durante várias semanas. Os autores declaram também ter patentes relacionadas com a tecnologia (pré-publicação no bioRxiv).

As equipas europeias de transplante trabalham contra um prazo apertado. As orientações da European Association of Urology indicam janelas ideais de 18 a 21 horas para rins de dadores em morte cerebral e de 12 horas após a morte circulatória (orientações da EAU). Os hospitais já vão além da simples conservação em gelo: usam máquinas que fazem circular fluido frio pelo órgão e reduzem o risco de função tardia do enxerto, isto é, de o novo rim começar a funcionar lentamente (revisão Cochrane). Se um rim conservado desta forma vier a sobreviver ao transplante e a funcionar de modo estável, guardá-lo durante meses poderá permitir aos cirurgiões esperar pelo recetor mais compatível e programar as operações, em vez de correr contra o relógio durante a noite.

Para já, o resultado é mais limitado, embora relevante. O rim conservado durante um ano produziu urina numa máquina; outros rins transplantados produziram urina em porcos acompanhados durante apenas duas horas (pré-publicação no bioRxiv). A equipa de Minnesota conseguiu recuperar, após longa conservação em estado vítreo, um órgão do tamanho de um rim humano e mostrou que este pode começar a funcionar. A próxima experiência terá de demonstrar que consegue sustentar uma vida.

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10/16/2026, 1:36:38 AM
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