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EU_PUBLIC_AFFAIRS03 / 10 · história do dia3 min · 805 palavras · 52 fontes

Trump quer afastar Zelenskyy por ataques a refinarias russas

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Escrito por IAto brief AI · 11 de outubro de 2026, 02:50
Como foi escrita

Ukraine’s air defence depends on American missiles bought largely by European allies.

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A influência de Washington sobre Kyiv assenta sobretudo no apoio militar: os EUA fornecem grande parte do armamento usado pela Ucrânia, mas não têm qualquer via legal para substituir o Presidente ucraniano. A 10 de outubro, Donald Trump disse que a Ucrânia devia «escolher um novo líder capaz de chegar a um acordo» (AP). Kyiv respondeu que só os ucranianos decidem quem os governa (Sybiha). Os relatos divergem quanto a saber se a equipa de Trump ameaçou suspender esse apoio caso Kyiv não deixasse de atacar as refinarias russas.

Do anúncio sobre o gasóleo à exigência de um novo líder, em dois dias

A disputa começou pelo combustível. A 9 de outubro, depois de uma conversa com Vladimir Putin, Trump anunciou que a Rússia voltaria a colocar gasóleo nos mercados mundiais, uma notícia que o To Brief acompanhou na altura (To Brief). Nesse mesmo dia, o gabinete de sanções do Tesouro dos EUA emitiu a Licença Geral 135. A licença autoriza a venda e a importação de gasóleo de origem russa até 7 de abril de 2027 (OFAC).

Zelenskyy classificou o alívio da pressão sobre Moscovo como um investimento na guerra da Rússia (Reuters). No dia seguinte, Trump respondeu dizendo que Zelenskyy «nunca fecha um acordo» e exigiu que a Ucrânia pusesse fim aos ataques com drones às refinarias russas (AP).

Trump atribui a esses ataques o encarecimento do gasóleo que está a prejudicar os agricultores norte-americanos. Os dados do Governo dos EUA apontam também para pressões internas: as reservas de gasóleo e de combustível para aquecimento estavam cerca de 13 por cento abaixo da média dos cinco anos anteriores, num contexto de importações caras e exportações elevadas (EIA).

Até agora, a licença para o gasóleo é a única decisão dos EUA formalmente assinada. Abrange o combustível russo e não faz qualquer referência a armas ou à partilha de informações com Kyiv (OFAC).

O que diz a lei ucraniana

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, afirmou que Zelenskyy lidera um país que luta pela independência e conta com o apoio dos ucranianos (Sybiha). A lei sustenta essa resposta. O mandato presidencial normal de cinco anos de Zelenskyy terminou em maio de 2024. A Constituição determina, contudo, que o Presidente permanece em funções até um sucessor eleito assumir o cargo (Presidência da Ucrânia).

Por agora, não pode ser eleito qualquer sucessor. A lei ucraniana sobre a lei marcial, o regime que regula o país em tempo de guerra, proíbe eleições presidenciais enquanto estiver em vigor (Verkhovna Rada). Trump pode exigir um novo líder, mas não pode impor uma votação, muito menos escolher quem a vence.

Onde a pressão de Washington pode fazer-se sentir

A conversa com maiores consequências ocorreu em Miami, onde os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, se reuniram a 9 de outubro. Negociam em nome do Presidente, pelo que as suas palavras têm o peso da posição presidencial.

Segundo o Financial Times, os enviados admitiram a possibilidade de suspender a partilha de informações dos serviços de inteligência dos EUA caso Kyiv continuasse a atacar refinarias (FT). Um responsável norte-americano não identificado deu uma versão diferente ao Axios: afirmou que os enviados não fizeram qualquer ameaça e se limitaram a lembrar que os EUA fornecem informações de inteligência e munições (Axios).

As duas versões coincidem num ponto: Washington lembrou Kyiv de que a inteligência e as munições vêm dos EUA. Não foi divulgada qualquer ordem para cortar esses apoios, nem foi confirmada uma interrupção.

A dependência europeia vê-se na defesa aérea. A Ucrânia depende de baterias Patriot, um sistema de fabrico norte-americano que lança intercetores (mísseis destinados a abater mísseis e drones que se aproximam). Segundo a NATO, os aliados que compram armas norte-americanas em nome de Kyiv forneceram cerca de 75 por cento dos mísseis usados nessas baterias (NATO).

A maioria desses compradores são governos europeus. O seu financiamento mantém o fornecimento de mísseis, mas as armas são norte-americanas e cabe também aos EUA decidir se as entregam. O dado da NATO quantifica a dependência em matéria de armamento, mas nada revela sobre a capacidade europeia para substituir a inteligência norte-americana. Não há informação pública que esclareça essa questão.

A exigência de Trump não altera a lei ucraniana, que mantém Zelenskyy no cargo até ser possível realizar eleições em tempo de guerra. Até agora, a única mudança formal na política dos EUA diz respeito ao gasóleo russo, não à ajuda à Ucrânia. O principal ponto de pressão é o apoio que Kyiv dificilmente consegue obter noutro lugar, desde a inteligência até aos mísseis de defesa aérea que os aliados compram nos EUA. A Casa Branca deve esclarecer se esse apoio passou a depender de Kyiv pôr fim aos ataques às refinarias russas.

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10/11/2026, 1:35:06 AM
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