Ucrânia promete novos ataques a refinarias russas

Distant refinery strikes add uncertainty to Europe’s diesel prices.
Composição da imagem · tobriefComo o gasóleo é transacionado num mercado mundial, uma quebra da oferta russa leva os compradores a disputar os mesmos carregamentos que procuram os importadores europeus. É neste contexto que Volodymyr Zelenskyy disse à Reuters, a 3 de outubro, que a Ucrânia intensificaria os ataques às refinarias russas em resposta aos ataques de Moscovo à rede elétrica ucraniana (Arab News). A campanha com drones, já em curso, passa assim a ter uma justificação declarada: energia por energia.
Energia por energia
Zelenskyy justifica a escalada com aquilo a que chama uma nova doutrina russa. Segundo o seu relato, Moscovo pretende pressionar os habitantes de Kyiv e de outras cidades, atacando as infraestruturas de energia, transporte e serviços públicos de que dependem. Disse que os serviços de informações ucranianos dispõem de documentos que o demonstram, mas estes não foram divulgados (Polsat News). «Nova doutrina» é a designação de Zelenskyy, não uma política russa confirmada.
Os ataques que refere ocorreram. Na noite de 29 para 30 de setembro, mísseis e drones russos atingiram instalações de energia em 11 regiões. O primeiro-ministro Serhii Koretskyi descreveu a operação como o maior ataque combinado contra a rede elétrica desde a época de aquecimento do inverno passado (Hromadske).
Entre os alvos estava a central termoelétrica de Trypilska, perto de Kyiv. O Ministério da Defesa russo identificou a central e afirmou que abastecia instalações de defesa, uma justificação que Moscovo invoca sem apresentar provas (BBC).
Os ataques ucranianos a refinarias são anteriores a esta promessa. Em setembro, fontes do sector disseram à Reuters que a refinaria de Syzran suspendeu o processamento depois de um drone danificar uma unidade responsável por 71 por cento da sua capacidade (The Moscow Times). A Ucrânia identificou a refinaria de Volgogrado, da Lukoil, e uma estação de bombagem de petróleo em Samara como alvos nos dias 1 e 2 de outubro. Os relatos de incêndios e explosões não permitem determinar quanto da produção se perdeu (Kyiv Independent).
A mudança está na ligação assumida publicamente. Kiev apresenta agora a produção russa de combustíveis como resposta aos ataques de Moscovo à eletricidade ucraniana, numa campanha que também paralisou unidades siderúrgicas ucranianas no mês passado (To Brief). A entrevista não permite concluir se esta ameaça pública levará Moscovo a moderar os ataques ou a intensificá-los.
Como um incêndio numa refinaria russa pode repercutir-se no preço do gasóleo na Europa
O efeito propaga-se pelo mercado mundial. Se a Rússia exportar menos gasóleo, os seus compradores procuram carregamentos dos Estados Unidos, do Golfo ou da Ásia, os mesmos que os importadores europeus disputam. A Europa depende bastante dessas importações: segundo uma estimativa do BNP Paribas, estas cobriram 46 por cento da procura europeia de gasóleo no primeiro semestre de 2026, e os Estados Unidos forneceram 40 por cento desse volume (BNP Paribas).
Até agora, não há dados que liguem uma variação dos preços europeus aos drones ucranianos. Moscovo tem outro motivo para exportar menos: os meios de comunicação estatais noticiaram que o Governo russo prolongou até 31 de outubro as restrições às exportações de diesel e gasóleo pelos produtores, para proteger o abastecimento interno (TASS). Uma eventual quebra das exportações russas terá, por isso, pelo menos duas causas, que os dados disponíveis não permitem separar.
A Comissão Europeia descreveu um mercado sob pressão, embora com abastecimento estável. A 2 de outubro, afirmou que o fornecimento de gasóleo à União Europeia se mantinha estável, apesar dos preços elevados num mercado mundial com oferta limitada (European Commission).
Nesse mesmo dia, os líderes do G7 comprometeram-se a libertar até 100 milhões de barris de petróleo e combustíveis ao longo de quatro meses e a não restringir as exportações de energia entre si (G7 statement). A segunda promessa é a mais relevante para o gasóleo europeu, porque abrange os carregamentos norte-americanos que cobrem uma parte importante da diferença entre a procura europeia e a produção disponível. É uma inferência razoável a partir dos dados de importação; ainda não se sabe se o compromisso resistirá a um período de maior pressão.
Kiev alterou a justificação declarada para os seus ataques: com a aproximação do inverno, a produção russa de combustíveis passou a ser apresentada como resposta aos ataques à rede elétrica ucraniana. Não foi demonstrado que os drones tenham feito subir os preços na Europa. A Rússia já está a limitar as próprias exportações de gasóleo, e a Comissão considera estável o abastecimento europeu. Os ataques às refinarias acrescentam um risco a um mercado já pressionado, a par de fatores que, à luz dos dados disponíveis, têm pelo menos tanto peso.
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