Informações dos EUA condicionam ataques a refinarias

Washington presses Kyiv on refinery strikes while its intelligence support remains crucial.
Composição da imagem · tobriefA 9 de outubro, os enviados de Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, passaram quase oito horas em Miami a pressionar a Ucrânia para que deixasse de atacar refinarias de petróleo russas (Axios). Segundo o Financial Times, avisaram que os EUA poderiam suspender a partilha de informações se Kyiv continuasse a ignorar os pedidos de Washington. Washington já interrompeu essa partilha uma vez, e a Europa só consegue substituir uma parte do que os EUA fornecem.
Um aviso, uma negação e um acordo sobre gasóleo
O relato público de Witkoff diz que governos europeus, a Comissão Europeia e a NATO participaram em conversações sobre os preparativos para o inverno e garantias de segurança, mas não anuncia qualquer acordo (AFP). Nem esse relato nem as notícias publicadas esclarecem quais representantes europeus, se algum, terão ouvido a troca de palavras em causa.
A versão do Financial Times descreve um aviso condicional. Um participante ucraniano disse ao jornal que a suspensão dos ataques era um «pedido firme» do Presidente dos EUA (Financial Times). O relato aponta para pressão sobre o que poderá acontecer no futuro, sem indicar que tenha sido tomada uma decisão de cortar a partilha.
A Axios vai mais longe: cita um responsável ucraniano que descreve uma ameaça explícita. Um responsável norte-americano com conhecimento direto da conversa nega essa versão e diz que os enviados apenas recordaram a Kyiv que os EUA fornecem munições e informações militares (Axios). Mesmo na versão da Casa Branca, o apoio norte-americano foi invocado na discussão. Nenhuma notícia indica que a partilha tenha sido efetivamente suspensa.
O mesmo responsável disse que Trump atribui os preços elevados dos combustíveis nos EUA aos ataques às refinarias. No dia das conversações, depois de falar com Vladimir Putin, Trump anunciou um acordo para levar gasóleo russo aos mercados mundiais (n-tv). O Departamento do Tesouro dos EUA emitiu depois uma licença que permite transações de gasóleo russo que, sem ela, seriam impedidas pelas sanções norte-americanas; a licença é válida até 7 de abril de 2027 e não exige que Moscovo deixe de atacar a rede elétrica ucraniana (OFAC).
Porque Kyiv continua a atacar
Kyiv defende uma pausa que abranja os dois lados. A 22 de setembro, Zelensky afirmou que a Ucrânia estava pronta para um cessar-fogo na área da energia com a Rússia, acrescentando que não tinha sido discutida uma suspensão unilateral dos ataques (Reuters).
Os ataques dão a Kyiv uma moeda de troca. Numa análise sobre as dificuldades do setor russo de refinação, agravadas pelos ataques ucranianos, a AIE estimou que a produção em junho rondou os 3,8 milhões de barris por dia, cerca de 30 por cento abaixo do valor registado um ano antes (IEA). O número não permite separar o efeito dos ataques de outras causas, mas mostra o que Moscovo poderá recuperar se a produção aumentar. Entretanto, a Rússia causou danos graves à rede elétrica ucraniana antes do inverno (To Brief); se Kyiv suspendesse os ataques sem contrapartida, perderia essa pressão negocial.
O que a Europa pode substituir — e o que não pode
Washington já suspendeu a partilha de informações durante a guerra. A 5 de março de 2025, o diretor da CIA, John Ratcliffe, confirmou uma pausa, durante a qual foi interrompida a maior parte da partilha através dos canais militares (Washington Post). A partilha foi retomada a 11 de março, depois das conversações em Jeddah (AP). A ajuda militar dos EUA foi suspensa ao mesmo tempo, pelo que nunca se mediu isoladamente o custo de perder o acesso às informações.
A dependência da Ucrânia é concreta: Kyiv usa imagens de satélite norte-americanas para selecionar alvos e avisos dos EUA sobre ataques russos iminentes para posicionar as defesas antiaéreas (Washington Post).
A França manteve a partilha das suas próprias informações durante a suspensão de 2025, recorrendo a capacidades que não dependem de Washington (Reuters). Paris nunca explicou em detalhe o que transmitiu, pelo que não se conhece a dimensão dessa alternativa.
Os limites mais difíceis de contornar estão noutro domínio. Em janeiro de 2026, o IISS descreveu os EUA como o único fornecedor atual da Europa de sistemas espaciais de alerta contra mísseis balísticos, que detetam lançamentos a partir da órbita (IISS). Em março de 2025, o Le Monde noticiou que os aliados poderiam também não estar autorizados a transmitir a Kyiv informações de origem norte-americana sem o consentimento dos EUA (Le Monde).
A primeira resposta política europeia conhecida incidiu sobre os ataques às refinarias. A 10 de outubro, o primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, propôs que o próximo Conselho Europeu, a cimeira dos líderes da UE, discutisse formas de acelerar a ajuda à Ucrânia para destruir refinarias russas (ERR). A proposta não esclarece quem substituiria os EUA no fornecimento de informações caso a partilha fosse suspensa.
Independentemente dos termos usados pelos enviados, Washington invocou o seu apoio em matéria de informações numa disputa sobre a estratégia de guerra da Ucrânia, depois de já ter suspendido esse apoio. A Europa consegue fornecer parte das informações por meios próprios, mas qualquer garantia de segurança para a Ucrânia que dependa de sistemas espaciais norte-americanos de alerta contra mísseis balísticos continuará sujeita a uma decisão tomada em Washington.
Details about this article
- Model:
- claude-opus-5-5
- Generated:
- 10/11/2026, 1:36:16 AM
- Pipeline run:
- eu_pipeline_20261011_005006
- Watermark:
- SynthID (Google's invisible watermark)
- Human review:
- None before publication